domingo, 4 de setembro de 2011
Depois do longo inverno
O menestrel da minha vida.
o meu mar de bem.
Vinde à mim a poesia
vinde, que te quero bem
Que a dor já foi embora
Que frio já está passando
Que os amores estão voltando
E os milagres operando
para me salvar.
Estava com tantas saudades de casa.
É bom voltar!
domingo, 10 de abril de 2011
Dia de outono
mas não quebre e não mate
nos congele.
São suas escritas que falam quando está dormindo
e dizem coisas que meus olhos sentem.
Vejo coisas e outras que o coração assente,
e que não se sente só.
Mas não acorde abruptamente,
que os olhos sonham acordados.
Nós não vamos sair de casa nesta fina chuva,
não existe o tempo nesta cama quente
só a vontade de ficar parado em miúdos
de felicidade em um outono carente.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Perdas
O brilho dos seus olhos. Foi no brilho dos seus olhos que eu me perdi e me apeguei, segurei para não cair e tropecei. Quase machuquei, mas você estava ali me segurando, mas não me deu um rumo e eu continuei.
Foram as suas mãos que se perderam no desejo. No desejo carnal de não respeitar o desejo moral. Na carne desejada sem o respeito moral. Perdemos-nos.
Os conflitos. Nos conflitos da minha cabeça eu duvidei e me perdi, tateei no escuro e me desesperei, eu não conhecia o futuro e me afastei. Você esclarecido se questionou e se assustou. Na certeza que tinha antes, se desesperou e se perdeu.
Procuramos-nos nas ruas, nas avenidas, nos rostos de outros rostos, nas barracas, nas laranjas, na goma, na cama em tudo e no todo, mas só achamos a dúvida. As coisas não existem, só vemos o que imaginamos. Nos perdemos na imaginação.
E o brilho dos seus olhos. Foi no brilho dos seus olhos que eu me achei e me desapeguei, soltei as mãos e me levantei. Machuquei-me, mas você esteve ali me segurando, sem me dar um rumo e livre não tive como ficar.
É o ciclo que se fechou e as perdas que ficaram. Descobri que não sei perder. E tudo o que fiz foi ficar me perdendo ...(com você).
domingo, 6 de março de 2011
A arte em você
Liberte-se para o mundo verdadeiro que te quer. Liberte-se e deixe de ser o ideal dos outros para ser o seu verdadeiro eu. Liberte-se para fazer P.arte de você.
Liberte-se e me banhe com sua poesia.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
Santo Sentimento I
Eu não rezo ao Sofrimento
Não o tenho em altar e patuás
Não o cultivo em lamento
nem em dor e lágrimas.
Eu conheço o santo que rezo.
Se deitas e choras,
alimenta a agonia
teu santo te responde,
Por isso é milagre.
Pedes ao Santo, mas não vê a graça.
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
A última gota
Foi o último pingo que caiu em mim
da goteira que era meu Ricardo.
Pingo gelado e transparente,
um pingo bem pingado.
E um dia foi o cojunto torrente
foi cachoeira, foi o mar inteiro
caindo da ribanceira,
dos nossos sonhos e do nosso calor.
Foi mera expectativa de um grande...
ahh.
Fechou a torneira, quem fechou?
Serviço mal feito, que ficou
Pingando em meu peito, por favor
Não molhe meu rosto
Não molhe meu rosto.
E pinga, pinga e pingas
Gotas de todos os gostos
Gostos de todas as gotas
Gotas de todas as grotas
Gotículas ridídiculas.
De dar gota.
Até que olhei no fundo do fundo
Ela se desprendeu vagarosamente
até o último fio e caiu
tão intensamente
com a força de sempre e sempre,
Só pude sorrir.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
A gira cardíaca
Enquanto a água quente acariciava seu corpo, seus olhos fechados olhavam pros pensamentos de tudo o que acontecera no dia, como um filme retrospectivo diário. Olhou fundo pra si mesma e sentiu alguma coisa errada em seu coração. Um zumbido estranho começou a gritar em seus ouvidos. Levou as mãos a cabeça e Ai, seu corpo começou a contorcer, sua boca a soltar pequenos gemidos e depois berros de dor e suas mãos em seu peito e um barulho maquinal oriundo do seu coração e a respiração ofegante e ofegante e não respirou. Agarrou as paredes que tentaram lhe dar as mãos, mas caiu antes, se jogou e cansou de sofrer.
Pensou que tinha morrido, mas não. Pôs a mão no peito e voltou a respirar. Profundo e intenso. Coisas do coração. Mais tarde eu soube que naquele dia, o seu coração tinha girado 180 graus, inversão. A cavidade esquerda virou a direita e assim o contrario. Seu coração mudou de posição. Alguns dizem que é por causa dos genes alienígenas, outros dizem que é porque se ama demais. Alguns falam que o coração, por ter vida, fica cansado de trabalhar na mesma coisa, outros dizem que isso é coisa de bruxaria da boa. "A gira cardíaca", chamam os médicos impressionados. Ela se sentiu diferente depois daquele dia e seu batimentos também trocaram de lugar. Agora o seu coração bate ao contrário, livre da escravidão dos sentimentos inacabados...
Esse texto não é exatamente novo, escrevi em algum mês deste ano, não sei. O achei perdido nas minhas memórias e resolvi resgatá-lo. Imagine ter o coração a mecânica de uma roda, como já dizia o Mestre Caeiro, esse comboio de corda...
