domingo, 6 de dezembro de 2009

Brigada querida

E se respiro, eu paro e vejo
Como não vi os dias da fadada corrida
No galopante, me rumo ao incerto,
com a espada sabida, que degola o tempo.

Uma luta-rotina de leões e intento.
Só o farto íntimo conhece minha Brigada
de poetas, santos, demônios e paladinos
na jornada de guerra pelo conhecimento.

Galopam comigo, levando suas almas
correndo perigo de cair-lhes as asas,
mas não hesitam em me ajudar na batalha
doando o sangue em troca de lágrimas.

Brigada querida, obrigada!
Por vezes me fiz de cega e primata
Não briguei por ti, que lutou obrigada
Mas o amor lhe dedico, eternamente grata.

domingo, 22 de novembro de 2009

As escolhas

Vivo no dualismo razão e emoção e, assim, faço minhas escolhas. Escolher é uma das coisas mais complexas na vida. A escolha é perpétua, e muitas vezes irreversível, assim como o ato de escolher.
As vezes escolho com a razão, porque sei que ela é a melhor opção, mas quando eu começo a andar na direção de minha escolha, meus olhos se voltam pro lado e desejam veemente a escolha da emoção. Eu não posso voltar e sei que fiz a melhor escolha, mas como explicar pro coração? Mas como conter o desejo de voltar? Com isso, como consequência, fico parada ou então até caminho, mas vagarosamente.
Vocês devem estar pensando: "oras, volte!". Contudo, sabem que depois e dados alguns passos, a saída para o retorno já passou há muito.
As vezes opto por escolher a emoção. Geralmente quando a escolho, não penso muito e passado alguns passos, eu vejo que mais uma vez a escolha não foi a melhor, podia ser a desejada, mas não a mais sábia.
Para se fazer uma escolha é preciso que as oportunidades se apresentem. As vezes eu faço minhas possibilidades e dessas eu não me arrependo muito. As vezes elas se mostram subtamente, involuntárias.
Dizem que muitas dessas involuntárias são frutos das escritas de Deus. Eu peço para Ele escrever o meu caminho com muita poesia, mas nem sempre Ele me atende.
Dizem que Ele escreve certo por linhas tortas. Criticaram-me quando eu questionei a certeza das suas escritas, disseram-me que não cabe a mim julgar. Tudo bem, eu entendo, faz parte do elemento "fé" que nos constituem. Mas com certeza, eu vou mandar um caderno pautado pro céu, pra ver se Ele se aprimora na certeza quando for escrever minhas possibilidades.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

filoSophia

Eu filo, Sophia,
e vc, o que faz?
Eu bem que tento
por longos momentos
procurar a sabedoria.

Enquanto eu filava, Sophia,
o que fazia?
Eu bem que que te procurava,
você só se escondia
E ria, ria e ria.

Em casa, eu penso
Na praia, eu penso
Na aula, eu penso
e num diálogo conflitante
com meu próprio pensamento,
pensei,
que a verdade de todas as coisas,
está em você Sophia.



Para o Thales,
Que não é de Mileto, porém é do 33.
Que não passeia pela Ágora, mas que tem seus teoremas.

sábado, 14 de novembro de 2009

Será

Ele me olhou, de brincadeira.
Já faz tempo que eu tentei, uma conversa.
Jogo a rede pra pescar, mas não me pega.
Está na rua de bobeira, mas só se nega.

Balancei o meu cabelo, o vento pegou.
Saia curta de cetim, pra andar depressa.
O baton pra colorir, a face branca.
Ele viu e quer vir, mas não se entrega.

Todo mundo sabe que eu já to "ai ai"
Dizem que não gosta, dizem que ele é.
Ai de mim se acha, ai de mim se quer.
Será que será o amor ou será pois é?

Amor será, será que foi?
Se foi será, amor que foi.
Será amor e o que foi, será.
Se foi amor, o que será?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A história de Gilberto Passos

Estava 32 graus numa terra bem pertinho do inferno, porém com cara de paraíso. A praia estava lotada e bonita, pessoas desfilando com suas banhas e sorrisos, os cachorros paquerando as cachorras e os passarinhos fazendo pose pra foto em cima de uma mangueira. Um cenário normal e sem beleza para Gilberto Passos.

Gilberto Passos nascera e crecera com areia nos pés, porém odiava se sentir um empanado. Ele sonhava com a capital e com o metrô. Não ligava pra ciclovia e nem pro jardim. Gostava da lua e não do sol. Gostava do inverno. Seu rosto cizudo já dizia seu mal humor, alto e metido, porém seu nariz de batata o denunciava.

Saia de casa as 10 horas da manhã. Terno e gravata, com o vade mecum em uma mão e na outra o cartão de transporte. Onibus lotado, gente fedida. Velhos por todo os lados e crianças barulhentas. Era torturante, era cotidiano.

No estágio, o advogado mandou que ele fosse pro fórum, protocolasse mil petições, olhasse cinco mil processos, fosse em duzentas audiências e antes de tudo fizesse uma resenha do livro de 700 páginas e 7 mil peças pra parte da manhã. Ele não sabia quando iria respirar. Suas fussas enrubreciam de raiva. Mas era um excelente estagiário, era um ótimo aluno e não admitia que as pessoas lhe fizessem mal juízo.

Não aguentava mais aquela vida, no entanto não conseguia se ver fazendo outra coisa. Não podia abandonar tudo que estava lutando e sua mãe não te incluiria na herança. Os cabelos brancos na pouca idade, as olheiras fundas de insônia e a curvatura nas costas curcundas me diziam que ele não passava de um garoto infeliz.

Naquela noite estava muito abafado, demasiadamente insano perto do normal. O professor estava entregando as notas. Gilberto Passos ficou arrasado quando viu sua nota: 7,00. "SETE", ele gritou. Ficou indignado, saiu batendo os dentes e rasgando o verbo pra falar da mãe do professor. Não admitia nota mais baixa que 10,00.

Parecia que tudo estava errado, que o mundo girava ao contrário, que as pessoas tinham se virado de costas, que Deus tinha se esquecido dele, mesmo ele não acreditando em Deus, que a natureza odiava. Chutou a catraca e começou a gritar na rua:
- Deus! Seu idiota, eu sei que você me odeia. Eu sei! Seu filho da mãe, como pode fazer isso comigo. Eu te odeio, vou te processar, vou tirar suas calças!

Neste exato momento, começou a chover. Do outro lado da rua, lá estava ela. Linda e loira. Vestido florido e havainas no pé. Ela era a Carolina. A chuva a pegou de surpresa também. Ela sorriu. Estendeu a mão pro céu, fechou os olhos e deixou as gotas delicadamente tocarem seu corpo, contornado suas curvas e encobrindo-a de prazer. Ele ficou paralizado olhando, hipnotizado.

Ela olhou pra frente e o viu. Sentiu uma atração e uma piedade ao olhar aqueles olhos amargos. Foi em sua direção. Ao se aproximar ele continuava parado, como se fosse um sonho, tentou disfarçar, porém não sabia onde colocava os olhos. Ela segurou as mãos dele e as colocou em seu rosto rosado. Colocou suas mãos no rosto vermelho dele. Olhares fixos. Ela deu-lhe um beijo no rosto e disse: Deixe a chuva lavar seu coração. Ele não conseguia pensar. Ela foi embora e ele ficou. Quando a chuva parou, ele conseguiu sorrir.

domingo, 1 de novembro de 2009

Amor da solidão

Eu que nunca amei.
Um Eu que canta canções de amor para ninguém.
O Eu que compra flores para mim.

O Eu que dançou uma valsa, uma salsa com a taça de vinho,
um tango, já com a garrafa que ganhou de qualquer vizinho.
O Eu que escreve poemas de amor sem amar.

Mas, ninguém foi buscá-lo sábado à noite para jantar,
Ninguém beijou seus lábios como bem queria.
Ninguém festejou seu dia.

Um Eu que nunca quis amar
E Eu que ama ninguém.
O Eu solitário que dorme com a imaginação
E vive uma vida de casado
com o amor da solidão.

sábado, 24 de outubro de 2009

Foto do texto "enquanto isso o mundo rodava"

Sábados

Sábado 1
Faz três exatas semanas que não há Luz no meu quarto.
Durante o dia, o sol me engana, mas a noite tudo é bem oculto.
Eu me perco nas minhas verdades, que nem consigo ver, como o sapato jogado no canto ou a poesia.
Comprei uma lâmpada, mas não serviu.
As lâmpadas costumavam ser mágicas, até a morte dos gênios. Nunca pensei em contar isso a vocês...
Num tropeço, perdi-me e os meus olhos não estavam fechados, não conseguiam ver o que era necessário ver(?)(!). Encontrar? Tarefa fácil para o disque denúncia, mas não para mim.
Falta Luz no meu quarto, falta Luz em mim.








Sábado 2
Frase de ontem e de hoje: "Há coisas que não deveriam ser feitas"
Eu continuo a fazer o que meu o meu ID deseja, contrariando o jogo dos vencedores e repetindo a frase que eu não aprendo.
Pelo binômio "a que se faz o se que paga", pago com a solidão.
tá me ouvindo?






Sábado 3
Pediram pra que contasse uma piada neste refúgio.
Deixo-a para vocês.

sábado, 17 de outubro de 2009

O corpo vadio e a fome sadia

São tantas coisas que o corpo precisa que não é raro o desejo, assim como não é raro ceder quando se pode, se deve, se engana, se quer. E os desejos que nos levam a eloquëncia, que leva a insanidade. Há coisas que eu digo ser insanas.
O corpo tem sede de um copo de esperança, a crença e a pujança. Tome um copo de dor.
Qual a medida da vontade insaciável? Sempre a procura, a procura de quê?
O corpo tem fome de um pedaço de homem. Nós, destinatários, seguimos sempre o final.
O corpo vadio e a fome sadia.
A mente calada sempre obedece as palavras do tudo e do nada, mais do nada.
Não há fome maior que a da fé e o amor.
Não há homem maior que aquele da coragem. Coragem de ser mais humano e dominar sua fome.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Enquanto isso o mundo rodava

Duas rodas e uma idéia na cabeça. Mas o dia está nublado. Tudo bem, é domingo e os amigos querem ser politicamente felizes. A chuva fininha não tira o glamour da conversa do banco da praia, nem a filosofia do bando e da árvore. Enquanto isso o mundo rodava...
Quais rodas ele utilizava? Nós não sabiamos. Eram seis rodas indo buscar duas pernas. A direção? Deixa o vento pedalar. A garupa tremia e Ela temia. A cerveja barata* e o pão de batata. Intimidades. Eram eles e eram elas, eramos nós. Enquanto isso a chuva e o mundo rodava...
Junto com ele rodava as provas, as teorias e dialéticas, rodam os sentimentos sofridos e as andanças escuras, roda tudo com velocidade, rodam minhas rodas, os pés e os pedais.
Seis rodas, oito pernas, seis rodas e uma garupa. Dois garotos, duas garotas. A vida em um momento. Enquanto isso o mundo rodava...
Spining!
à Kika
Ao Guilherme
Ao Ivo
Ao domingo
à magrela vermelha.

*Por questões diplomáticas, digo que a cerveja estava barata. Nunca se encontra uma Norteña com aquele preço...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Lírios à Laura

Já faz tanto tempo, mas ainda bem me lembro, dos assovios na beira da pia, do leite morno na caneca marrom.Cabelos brancos, banguela de dó, trapinho rosado, vestido queimado do fogo do fogão. O pão duro na mesa, seis horas da manhã, a salsicha barata, com aquele feijão, tempero divino que a pobreza ensina, à realeza dos embutidos finos.

Penteava meus cabelos, toda trançada. Sapatinho limpinho, mesmo depois do barro. Mal podia demorar no banho, era um grito gentil e eu gritava que água não esquentava, mas ela sabia que brincava de karaokê. Uniforme escolar, material inspecionado. Nem sabia ler ou escrever "higiênico", mas sabia que pra mim, era importante estudar.

Quando chegava a noite,depois da escola, eu trazia uma florzinha murcha e roxa, furtada da escola, ela dizia "bobagens". A noite, eu mal me despedia, porque sabia que no outro dia seria tudo outra vez, se eu soubesse que ela era humana, nunca me desgrudaria.

De todos as formas, o lirismo. De todas as flores, os lírios. De todas as boas, a áurea. De todas pessoas, Dona Laura.

Chegado a primavera e a saudade de há tempo.
A flor dos poetas e do canto.
Lírios aos anjos.
Lírios à Vó Laura.

sábado, 19 de setembro de 2009

Um pote de estrelas

Tah, eu sei que estou escrevendo textos muito longos e cansativos, mas esse é o último, quase prometo...


Estela discou o número que estava na sua agenda, um número quase qualquer. Fábio atendeu:
- Alou?
- Você está em casa?
- Estou, por quê?
- Pode vir me encontrar na estação?
- Você está aqui? Quando voltou?
- Estou esperando nas catracas. – Desligou.
Deu cinco longos minutos e ele apontou na entrada. Estela esperou ele passar e tocou em seu ombro. Fábio meio surpreso olhou displicente e confuso:
- O que está fazendo aqui? Você não estava em...
- Tome, é pra você.
- O que é isso?
- É um pote de estrelas. Recolhi na noite de Santa Rosa do Viterbo, peguei uma por uma, agreguei neste pote de mel vazio e trouxe para você. É o meu pedido de desculpas. – Ela o olhou com tanta doçura que as pessoas poderiam dizer que era o próprio mel fora do pote.
- Mas você está desculpada! Não precisa pedir desculpas, já passou, não me importo, está mais que desculpada.
- Não aceito suas desculpas em palavras. Palavras são retribuídas com palavras, gestos são retribuídos com gestos. É uma mania engraçada do ser humano, banalizar as coisas. Desculpas são pedidas e dadas a todo instante, mas nem todas têm a real intenção de retirar a culpa. Veja, ontem eu quase pisei no pé de uma mulher, sem pensar eu disse: Desculpa. Uma máquina faria a mesma coisa. Hoje um homem trombou comigo e doeu muito, ele disse: desculpa. Diga-se de passagem, que nem olhou pra mim. Eu disse: não foi nada. Mas na verdade eu fiquei dolorida e chateada. È costumeiro pedir desculpas, fácil demais, placebo da moral. No entanto, esse não é o objetivo das verdadeiras desculpas. Eu te deixei duas vezes, eu te enrolei como papel, eu não fui sincera. E você, pelo contrário, a toda hora me procurou, mesmo tendo a aspereza de uma parede em sua frente. Estas são minhas desculpas. Pense, quando tiver me desculpado nos encontramos e conversamos, tenho que ir pra casa.
Ele não entendeu nada porque ela falou muito rápido e ele não estava raciocinando muito bem. Ela foi e ele ficou. Embora sua vontade era de não deixá-la escapar, convidá-la pra tomar uma chá e escutar o álbum branco de cabo a rabo e de rabo a cabo duas vezes, mostrar suas artes pra impressionar e a caneca do pequeno príncipe que comprou, apenas saber a idade dela ou seu sobrenome, ou qualquer coisa que se sinta. Sabia que demoraria muito tempo a vê-la novamente. Aquelas desculpas eram melhores que um buque de rosas, era grande demais pro nada que eles eram, mas que poderia muito ser, eram as estrelas na sua barriga e não no pote ou era o pote nas suas estrelas, ele não sabia.
Saiu correndo, pulou a catraca e caiu na escada rolante. “Quase quebra, Meu Deus!”. Levantou, mas quando chegou na plataforma, só o eco sonoro dos trilhos estavam presentes. Ele olhou as estrelas em suas mãos e desejou ter tido luz própria.
Não sabia aceitar desculpas sem ser com palavras. Voltou pra casa com seus botões, pegou dois exatos grãos de feijão, deu um beijo em cada um. Pegou uma nuvenzinha de algodão, acomodou-os com todo carinho, pingou água até encolher, na medida do coração. Ali ficou olhando e com as mãos juntas e apertadas começou a cantar: “Me leva amor, amor, me leva amor, por onde for quero ser seu par...”.

domingo, 13 de setembro de 2009

Romance Moderno

Para falar de romance hoje em dia, necessariamente, se começa dizendo: "Ah, sei lá!Nós estamos saindo, ficando, se divertindo...". E assim acaba a frase daqueles que estão apaixonados e jamais admitem, daqueles que estão pegando, daqueles que amam, daqueles que não tem nada melhor pra fazer, daqueles que estão em dúvida da sexualidade, daqueles que estão carentes, daqueles que só querem fornicar. Mas todos estão a procura de um romance.

Romance, uma palavra tão ampla que, em sumo, pode ser definido como "ter uma relação amorosa" ou como "um gênero narrativo". Mas um romance tem uma conotação mais subjetiva, mas individual, onde cada um dá o seu sentido à palavra, porque cada um vê o romance de uma maneira.

No entanto, pelo menos pra mim, a palavra romance me faz lembrar os olhares no baile, a valsinha de rosto colado, o coração desesperado de tanta emoção. Conceitos antigos que bastaram ser vividos pelos meus avós e por mim mas telas de um cinema em p&b ou nas páginas de uma Jane Austin. Dá pra sentir o gosto...

Agora, junto com a era miojo, criamos o romance moderno. Que não foi só readaptado, mas também modificado. Hoje, todo mundo vive vários romances instantâneos e momentâneos, com várias pessoas ou sozinhos. Extremamente intensos, mas vazios. Sem correntes ou apegos, mas com muita intimidade, intimidade sem casamento. Sem cobranças de fidelidade, mas com uma conta alta no final do mês. Tudo muito livre, muito moderninho.

Eu acredito que a minha geração é uma grande bola de carência, que não ensinaram a esperar, a conquistar, ou a fixar.Totalmente perdidos, sim, nós estamos.

Romancear é fazer arte e, é claro, faz p.arte da evolução da nossa vida. É tão arte como a pintura ou a música, que vive seu lado contemporâneo, modernista de ser. Por isso se vê romance numa tela de Gaudí ou na música do Daft Punk.

Não há frase mais estranha que "não temos nada mesmo" digna de um romance moderno. Agora, como não há nada, se já se fez de tudo?! Há, sim, a insegurança. Não entendo, mas compreendo. E o sistema roda, gago e sem óleo, mas roda. Até encontrar sua identidade.

Carência, falta de tempo, valores a vida, amigos e diversão. Não generalizo, muito menos faço de mim uma questão. Mas é só dar uma volta por ai pra olhar nos olhos das pessoas que elas te dirão o conceito de romance moderno.

Enquanto isso, na lanchonete, eu faço meu romance modernista até encontrar uma métrica.


Para Damaris, minha dama.
Para Kika, minha querida.
Para os meus amores de todos os gêneros.

sábado, 5 de setembro de 2009

Ela, Ele e o elo

Ela parou e ficou olhando o seu inverso. Talvez lá estivesse resposta para tanto sentimento e pouca afinidade. Ele era totalmente controverso de tudo aquilo que ela imaginara, bem longe das medidas e dos padrões irregulares de sua cabeça, bem longe das suas convicções, daqueles que se ignora numa seleção natural. Mas era Ele seu tomador de suspiros, era o pescador de seus sorrisos, era o cancioneiro atrevido, que irrita e não se consegue parar de escutar.

Talvez fosse o cabelo de fogo dele que não combinava com o seu cabelo Bombril, ou as calças coloridas que não combinavam com suas saias pretas, somente o all star branco se identificava. As músicas se contrapondo, a literatura barroca e realista, uma briga entre sofistas e platônicos. Mas sempre depois da briga Ela o domava e o adorava. Ele fingia ficar bravo e se deixava, e os dois, diferentes, tornavam um só organismo depois de uma guerra mundial.

Ela era toda crua e inexperiente, fingia saber de Almodovar e Bauhaus, e decorou alguns números de lentes, dizia que as artes não são somente os olhos e sim os membros, mas mais o que eles sentem do que eles propriamente, mas isso, só pra impressionar. Leu tudo nas revistas e nos livros, mas vida que vivida, só viu pela TV. O salto alto era pra dar ênfase a essa máscara, assim como os ombros de fora e a maquiagem de artista. Porque fazia isso? Porque a sociedade assim a criou. Mas no fundo ela era pura e crua, como o barro que nunca foi tocado pelas mãos de um nobre artista.

Ele já se sentia velho, já se preocupava com as rugas e cabelos brancos. Já tinha pensado nas suas raízes, na velhice, na diferença entre as raças e no pensamento humano. Estudou as filosofias e as artes, fez monografia e subiu no palco. Cantou numa banda de rock e saiu no carnaval. Comprou uma bicicleta e fez moicano. Estudou música clássica e viu um clássico. Passou pela morte de sua mãe. Comprou muitas coisas e não usa sapatos. É professor de russo, mas gosta das tequilas. Ele era tudo isso mesmo, não precisava impressionar, no entanto, muito perdido. No fundo era como aquele velho LP só reconhecido pelos vintages escassos.

E os dois se encontravam nas esquinas e nas planícies, tomavam café pra papear. Trocavam figuras que inventavam e criava poemas pro tempo passar. Era Ela, era Ele, diante de uma circunstancia, eram os dois comendo macarrão. No museu rindo, fingindo a leitura, comendo pipoca assistindo Faustão. Não havia coincidências ou igualdade de pensamentos, crises conexas ou situação, só havia um tênis e uma fotografia, só havia um Elo: o coração.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

A porta

Ele tentou abrir a porta, mas estava trancada. Foi olhar no bolso e cadê as chaves? Elas não estavam lá. Tocou a campanhia, mas ninguém atendeu. Apertou mais uma vez, nada. Ligou na sua casa, tu....tu.....tu...tu...tu, nada. Apertou novamente,nada. Até que sentou no chão e deixou seus dedos ficarem tocando em vão. Encostou a cabeça e tentou dormir, mas pelo visto nada estava dando certo. Só tentativas mal sucedidas.
Só de pensar que era somente uma porta, fina, feita de madeira pobre e de um branco azedo que o separava da sua cama, do seu conforto, do seu chuveiro e da geladeira cheia de leite. Era uma porta que o separava do seu mundo. Nunca tinha imaginado ficar para fora, nunca tinha pensado que um dia poderia não mais entrar.
Seus dedos, agora desesperados, tocavam com tanta força que vermelhos, quase gritam de dor. Pensou em arrombar, mas sabia que não tinha dinheiro pra arrumar e sabia que ela ficaria intensamente furiosa. Seria invasão de domicílio? Bobagens...
Por um momento achou que fosse maldade dela, mas pensou também que seria impossível ela não ter escutando a companhia ainda.
Queria ligar pra ela, dizer que estava cansado de esperar pra ela abrir a porta, dizer que tudo o que ele pensa na vida é em faze-la feliz, mas que as vezes ele tem bobeirisse, culpa dos amigos.
Que a campainha não é só o alarde de seu coração, e que ele realmente a ama.
De repente, a porta abre. Já eram 7:30 da manhã. Ela olha pra ele, ele olha pra ela.
- Você não se cansa de bater?
- Ele ainda está ai?
- Ele mora aqui.
- Ele pode morar nas minhas coisas, pode ter as chaves, eu não ligo...
- Então porque está aqui?
- Porque foi eu quem construiu essa porta e por mais que eu encontre-a fechada, ela sabe que sou eu quem a ama de verdade.

domingo, 23 de agosto de 2009

Enfim, 21!


21 palavras
21 sorrisos
21 amores
21 amigos

21 baladas
21 doses
21 cantadas
21 poses

21 fios brancos
21 histórias
21 solavancos
21 vitórias

21 estados
21 sonhos
21 passos
21 anos!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Diálogo

Na madrugada de sábado, antes do sol nascer e depois que a lua se retirou, bêbada e perdida, sozinha e sentada na beira de um lago. Senta ao seu lado um pombo cinza. Os dois estavam cansados demais pra se perceber, olhando laconicamente pro nada em sua frente, ela diz:
- Você é sujo!
Ele retruca no mesmo tom ecoante e preguiçoso:
- Você é suja.
- Sua pena é nojenta!
- Sua pele é nojenta.
- Suas asas são manchadas e gordurosas!
- Sua alma é manchada e gordurosa.
- Pombo maldito, saia daqui se não quiser virar Yakissoba!
Ele voou e ela ficou.
Ela olhou pro espelho d'água e não se viu mais.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Papel em branco

Externizar meus pensamentos
limitados, limitados
numa caixinha A4 virtual
ilimitada, ilimitada.

Aos olhos de quem?
sépticos, céticos
que olham com desdém,
encanados, encantados.

Mas do que são feitos?
de trapos, tratos
de uma memória atemporal,
dialética, epilética.

Necessitam ou necessidade?
preciso, precioso
A mim, aqui, a viagem
coifeite, enfeite.

Um tanto diabético
Cardíaco e sintético
Confuso e difuso
Socrático, apático

Brincar nesta brancura
Esquecer de tecer a regra
Pensar no impossível
e fazer imaginar.

Agora que sou livre
posso dizer em composição:
Meus pensamentos são
minha doce loucura.


Ouvindo Le Tigre

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O filho, a viúva e a neta

O Filho
Durante três meses ele dormiu todas as noites agarrado a mão do querido enfermo. O ambiente cheirava a remédios e doenças, as pessoas fantasiadas de branco cuidavam e descuidavam de uma saúde valente, porém solitária numa guerra de microcombatentes. Nos seus olhos se via a tristeza caminhando ao lado da esperança, esta por sua vez rezando pra Santa Vida acudir as preces dos mesmos olhos. Os médicos calcularam os últimos minutos. A terrível espera pelo último suspiro e o cheiro da morte desencadearam uma série de lágrimas e desespero:a última respiração.


A Viúva
Muitos anos a dois se tornam uma unidade. Já sabia da fatalidade, mas nunca se quer acreditar. Não havia cena mais triste que vê-la debruçada no caixão aos prantos gritando pelo seu velhinho, gemendo palavras de consolo que não consolam, esperando abrir os olhos e acordar de um pesadelo ou atirar sua vida na janela e deitar-se ali esperando que seus filhos não sofressem. Questionar Deus parecia tão pertinente, por mais que a fé fosse a única medicina a se recorrer.Impossível não sentir dor, impossível não vermelhar o rosto e sentir queimar as lágrimas entre as rugas, manifestações de um amor.Impossível.

A Neta
Vê-lo doente de cama já foi um choque. Homem respeitado e viril. De honra ilibada e notória, sempre forte. E agora, fraco me olhando com suplício, olhar esse que eu nunca mais vou esquecer. E agora...ver minha querida avó sofrer nos meus braços e eu a beijar suas lágrimas tremula de dor. Dor essa que eu nunca senti, dor essa que vai apunhalando o peito e o estomago como se corroesse o coração, como se toda a maldade me atormentasse, dor que não cabia em mim. Pior é ver que essa dor era como se fosse epidemia, todo mundo em prantos. Um cenário mórbido e torturante. Só de pensar que a terra iria cobrir o seu rosto negro, só de pensar que os dias dos pais seriam flores no sepulcro ao invés de camisas e meias, só de pensar que o almoço no domingo teria uma cadeira vazia. A procissão de pessoas em rezas e uma família unida pela dor, resta-nos a consolação de poder viver na lembrança das coisas boas.




Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza...
Querido avô, descanse em paz.

Haikai

O médico na multidão
Sua roupa branca
cura minha visão.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Coração enraizado

De uma conversa no ponto...


O meu coração não tem nome próprio
Chama-se: Busca pela eternidade
Porque o eterno é nominal
e o nosso nome é a única certeza
em palavras singulares.

Eu sou o que eu amo
E eu amo o conhecer
O anseio pelo novo é a manivela de minha’lma
da minha sa-be-do-ri-a.

Porém, poucas coisas criam raízes no meu coração
Sinto que a semente foi plantada, mas 
Poucas se agarraram as paredes deste músculo sem sufocá-lo
e acompanham as batidas frenéticas do TUM DUM...

Poucas conseguem se alimentar deste coração vadio e só,
De sangue impuro e grosso
vermelho como a vida que quer lembrar a fatalidade.

Cavidades invertidas
Sentimentos divididos
Simplesmente i-no-mi-na-do
procurando suas raízes
procurando florir.


segunda-feira, 13 de julho de 2009

Seja bem vindo ao meu lar

Será que alguém estará me vigiando? Se estiver, se apresente. Puxe uma cadeira e vamos conversar. Conte-me o que está vendo e o que quer de mim e não me deixe falar sozinha. Queira-me como bem me quer e não destrua as pétalas que eu lhe atribuir. Eu só quero sorrir. Numa nuvem de verão, as dançarinas encantadas nas águas, dizem que vc está atrás de mim. Em quem acreditar? No meu sentido ou nos meus olhos? Será o vão livre da solidão cobertor dos meus dias de frio? Será que será. Abriu a história bem contada, vamos escutar, venha se lhe sentir feliz. À você, o meu ser. Será. Seja bem vindo ao meu lar.

ao som de:
No baú vai ser achado
A sua estrela renascerá
A janela tá aberta
A casa é sua, pode morar
Me falta alguém
Falta alguém trazer prazer
Durmo sempre no meu quarto sozinho
Esperando você chegar
A janela tá aberta
A casa é sua, pode morar
Pode também morar
Os dias vão me mostrando o que sei
Mas não quero acreditar
Não tenho sentimentos nem hora
Agora nada mais importa
Se nada me acalmar
Nada mais vai importar
Baú-Mombojo

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Rotina de sorrisos

No ponto ela deu o sinal. Entrou no ônibus. Seu cansaço estava visível e seus olhos só pensavam na hora de ver sua cama. No entanto, atrás do banco alto estava uma barbicha bem feita e um cabelo pretinho desarrumado e os olhos eram: Fascinantes! Ela sentou-se no último banco para observá-lo. Não esquecia o olhar, aqueles olhos penetrantes e grandes. Viajou! Até que seu ponto estava se aproximando. Levantou-se, sentou-se do lado, cutucou-o e disse: "Seus olhos são muito bonitos." E nesta hora olhou fixamente,  viu que eram muito mais belos do que pensava, quando se olhava no fundo da retina. "eles parecem... como ja-bo-ti-cabas quase maduras". Ele sorriu dizendo: "Obrigado!". Ela levantou, deu o sinal e não parava de sorrir. Pensou: " Meu Deus! que tipo de gente faz isso? Acho que sou maluca...", neste dia dormiu feliz.

No outro dia, na mesma rotina entrou no vagão do metrô. Seus cabelos estavam cansados e sua expressão de seriedade dizia as pessoas que...Olhou o cabeludo na sua frente. Ele estava escrevendo. Pensou: "Nossa que legal, quantas vezes eu fiz isso, escrever do nada sobre alguma coisa que não se pode perder."Queria ir sentar-se do lado dele e dizer "nossa, essa frase é incrível", mas seria muita loucura. Perdeu-se nos pensamentos. Logo ele levanta, senta no banco de trás e a cutuca dizendo: "Parece estranho, mas isso é pra você, espero que leia e goste. Hoje eu estava muito triste, mas você me deu inspiração". Ela olhou estonteada e incrédula, mas ao mesmo tempo tomada de uma felicidade discrente. Ele desceu e ela ficou a ler, não conseguia parar de sorrir. Neste dia ela dormiu mais feliz.

Todo mundo pode fazer felicidade, basta fazer p.arte das pessoas que nem conhecemos, basta ser mais sensível, basta dar mais amor. Sem temer, sem pensar no que pode vir, sem ser sacana. É preciso resgatar a pureza dos elogios, por menos puros que possam ser. É preciso sermos mais próximos e libertar os desejos e pensamentos. Sem maldade, sem malícia ou preponderância. São apenas elogios que sentimos ou sentimentos que devem ser elogiados. Tornar isso uma rotina gostosa, uma rotina de sorrisos...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

15 passos



Passo meu ponto e passo a caminhar.
Passou por mim por um passo
o passado de 15 passos,
feito pena, feito pássaro
feito o pensar.

Mais um passo
e o que está passando na tv?
Um por um
cada pé com seu compasso
e 15 passos pra chegar em você.

Só um passo a passear
no outro lado da calçada
um pessegueiro à 15 passos
marcado pelas pegadas
de um passo contado.

Num passo acelerado
O passadio pracista
15 passos ensaiados
e meus pés encaixados
numa dança passadista.


Só mais alguns passos
Pra chegar na solidão ultrapassada,
Pra passar pelo portão da passeata,
Pra pensar nas pessoas passadas
e mais 15 passos pra pensar no nada.



Inspirada na música "15 steps" do Radiohead
E nos passos de Michael Jackson.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Grito de um quadrado

Eu ainda não acredito que estou de pijama a essa hora da tarde, mas o mais impressionante é que ele não quer sair do meu corpo. Alternando entre a cadeira e a cama, finjo dar atenção a quadrada tv que, Ah coitada, ela não sabe o que diz!

Os cantos já não suportam mais meu cheiro, as paredes taparam seus ouvidos pra não mais me escutar cantar, muito menos ouvir falar do romance imaginário com um palhaço inglês e a porta, sempre de costas, nunca quer falar de porquês.

Eu poderia escrever um livro, se a criatividade olhasse pra mim e me tomasse o sangue, de canudo se quisesse. Ou um quadro bem quadrado do tamanho deste quarto, retratando o desespero da solidão. Nem se Dalí viesse puxar meu pé a noite, nem se Picasso me picasse.

Por falar em noite, eu não sei mais o que é dia,  o que são horas, o que está acontecendo no mundo ou o que é ser teoricamente tecnológico globalizado. Eu não sei qual a razão de estar aqui.

-Heyy!Alguém me ouvindo? Estou com fome! Desliga esse cara chato que não pára de falar! Heyy alguém me ajuda! Tragam-me café...

Se o céu da minha boca não estivesse rabiscado. Se minhas mãos não tremessem ao levantar. Se o homem pensasse mais na importância que o mundo tem sobre ele e não o contrário. Se as minhas palavras não sofressem repressão. Se meus amigos não sofressem com a ambição pelo poder que Eles têm. Se fossem pessoas dignas e não usassem a retórica pra prejudicar. Se eu não estivesse presa neste quadrado,

Eles sofreriam com a minha IRA, já que aqueles sofrem com o Irã.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Good bye Mike!


Eu sei já vinhamos chorando a um tempo pelos fatos que iam matando nosso rei aos poucos, mas confesso que tive uma mísera esperança de vê-lo sapatear mais uma vez. Não importa todos os boatos a seu respeito. Importa que ninguém conseguiu fazer o que ele fez, reinar no mundo pop. Mas eu defendo a teoria, junto com meu amigo Toni, que ele não morreu. Pegou a grana e fugiu pra um lugar onde está Elvis e Tupac, onde só entram reis. Por isso que nós, meros mortais, não achamos.

He was here to change the world.

Ps: ele mais que fazia P.arte

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Retrato da traição

Logo hoje que fiz um mural de bromélias pra te presentear, viram seu rosto por detrás de outro rosto, viram seu lance numa cena de tv. Viram seu lado que só Deus conhecia, viram a máscara que caia...
Logo hoje que eu fiz pensar que amor é um belo clichê, viram seu carro parado em um outro posto, viram sua sunga azul em outro varal. Viram seu lado distante, que era atenuante pro desfecho fatal...
Logo, justo hoje que eu fiz um pavê, viram sua mão na outra, sua boca na boca, e o resto já sabe. Viram seus quadris rodando, com outros ossos roçando em pleno dia. Viram seus pertences achados, jogados num quarto de sei lá o quê...

Era eu, era você, nós dois na moldura. Agora Ela era parte, pintada também.
Era noite era dia, ninguém sabia. Agora todo mundo pintado neste retrato de cine privê.
Estamos diante de um trato de dois mais um são quatro, só falta eu escolher.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Papel de Parede

Aos Segredos teus.
Enquanto eu gloso o seu rosto num canto de um conto da literatura, você interpreta uma conversa reta sem destino ou extinção de um dramaturgo importante. Mal sabe você que do lado destas pilhas de livros de antropologia comportamental, sociologia das vacâncias e dos "Principais autores de peças teatrais" há alguém, que além de Shakespeare, também lhe repara muito bem, querido (Ro)meu. Você olha pro livros com tanto amor, como é possivel não me olhar? Eu sei que sonha em ser um bom ator e que quer comprar uma casa na praia de Ipanema pra sua mãe descansar. Digo-lhe, oh Amado! Para ser Rei é necessário ter Rainha, uma mulher que te dê impulsos, carinho e prazer. Cuide-te como Helena, te dê o iluminismo de Jane Austin ou te dediques como Sônietchka, como num romance russo.
Mas só vês as portas e as estantes e o único papel que faço na sua vida, é este que te corres o olhas e nem nota, figurino da sua ascensão, tal como a parede, tal como o chão.
Dos segredos meus.

domingo, 14 de junho de 2009

Untitle

Quando o pouco parece loucura,
queira Deus, me segura,
tire de mim essa maré instantânea
de ondas tristes e de insegurança.

Lance-me no ar
empedre meu sangue,
mas não me estanque
deixe o novo se aproximar.

Que esses olhos banidos,
reticentes sofridos
lançam-se em altomar.

As singelas respostas,
artefatos da dor...
Alucinações não merecem meu olhar.

Carregando em minhas costas
um delgado torpor
uma imensidão de anjos desesperados.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Dasabafo (complete o texto)

Não tenho a mesma dedicação com os meus estudos como tinha planejado no início do ano. Não tenho vontade de escrever tudo o que o professor pede na prova com aqueles espaços em branco achando que eu vou completar a parte que lhe falta na vida, como se eu soubesse rezar,  e pior, não tenho vontade de pensar. Fico em casa vendo televisão e todo o meu sorriso vem da piada sem graça do humorista desesperado. Folheio o jornal e leio somente os títulos, por desencargo de consciência. Não consigo me concentrar na história de Dostoiéviski, apesar de sempre pensar nela. Sou capaz de ficar uma hora inteira olhando pra parede esperando que ela fale alguma coisa.

Há coisas na rua que estão me irritando, afetos demasiados, sorrisos prolongados ou simpatias gratuitas. Essa propaganda do dia dos namorados, sendo que eu sei que mais uma vez eu não vou receber flores. Vejo-me cobiçando algo que nunca me fez falta. Como podemos sentir falta daquilo que nunca tivemos? É somente o desejo de ter, e depois? Como será? E a dúvida, que se alimenta da venda preta que cerra meus olhos, é mais uma a cutucar minha cabeça de forma que a dor me faz parar e a razão continuar como se fosse o freio e o acelerador brincando com os passageiros no banco de trás. Mas quem está na direção? E a comida no meu prato que perdeu o calor e a vontade de me alimentar, contando-me histórias, triunfantes,  de como chegou até ali.

Pra piorar, eu tentei, eu juro, escrever alguma coisa interessante pra vocês, mas meu cérebro e meu pensamento estão tão contaminados que as únicas palavras que me vêm a cabeça são: _________________________________________________________________ . 

domingo, 7 de junho de 2009

Poluição amorosa

Eu caminho pelo mundo contorcendo-me de dor. Porque meus olhos sangram com essa poluição amorosa.
Todo mundo se ama e todo mundo sofre de solidão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Linha Azul

E de repente eu vi o moço parado em frente a porta magnética, esperando que ela abrisse para entrar no trem. Foi um passo com o pé esquerdo, os olhos procurando um assento disponível e os meus olhos procurando uma atenção nos seus. Todo de branco, como se fosse o médico que iria curar a minha doença, acho que foi isso que eu vi naquela hora, uma cura. Mas não é plausível atribuir ao branco a cura das doenças da cabeça. Não se sentou, não havia mais lugares, de modo que eu o via, descaradamente, pelo reflexo da janela. Ele nem se sentiu incomodado por estar sendo vigiado, talvez nem sabia. Dizem que os anjos não ligam pra vaidades.

A mulher do meu lado, bem percebeu a presença do jovem e nem se deu o trabalho de olhar pela janela. Ela tinha os cabelos brancos e engomados, como se fosse dia de festa. Na sua mão um lenço cor amarelo cobre com missangas azuis e vermelhas. O sapato de dança de salão, mas se via que nunca tinha dançado na vida. Os olhos juvenis se deliciavam com o mero deleite, a sensação de vida com a paquera, era mais um sono gostoso de juventude anonimada.

O homem que me olhava - e eu só fui perceber depois - sacava meus pensamentos, mas eu sacava mais os dele. Ele estava triste e desolado com a mulher, sabia que ela não gostava mais dele e estava procurando uma outra distração. Mas ele sabia o motivo, trabalhava demais e com o passar do tempo não sabia mais voltar pra casa e sentir-se a vontade. Olhava pra mim como se eu pudesse sair correndo com ele e mudar de vida, via em mim a esperança de uma vida toda pela frente, mas mal sabe ele que...

O menino que entrou de mãos dadas com a mãe estava muito feliz por estar ali. Não tinha espaço pra sentarem e por isso ficou brincando de surfar com o andar do trem, olhava pra mãe como quem diz "olha mãe, eu consigo ficar sem as mãos!" e quase cai quando o trem parou bruscamente. A mãe olhou dizendo: "Tah veno, eu falei pro cê segurá, vai caí menino". Ele riu porque não tinha caído. eu quase fui brincar com ele, mas já não teria a mesma graça.


"- Estação Paraíso." O maquinista gritou. Todos desceram, até o homem que me olhava, até o moço de branco. Os outros figurantes iam descer na Luz ou na Saúde, eu não sei. E eu fiquei sentada esperando a Santa Cruz chegar.

domingo, 31 de maio de 2009

Daniel de Maio Silveira

O mês de Maio se foi. É uma pena, porque é um mês bonito. Maio é uma palavra bonita, curta e sonora, rima com Balaio, soslaio e desmaio. Maio é quase "meio", muda pouca coisa. É um mês vermelho com gosto de maçã, sinestesicamente - muito gostoso por sinal.  Fora que é outono, estação maravilhosa. Mas maio me lembra Maia (não, não é a mulher do maio). Maia vem de Daniel, portanto, maio é o mês do Daniel, que faz aniversário no dia 6, de maio é claro.

Eu não tive a idéia de homenagea-lo no dia 6, na verdade só descobri tudo isso quando eu vi a data (31 de maio de 2009) e lembrei dele.

Desta forma, dedico este post a ele e publico uma poesia que fizemos juntos. Na verdade ele fez e eu fiz uma resposta e é a minha preferida de todas.

Estou fazendo isso sem autorização, portanto, se ele ficar bravo, vcs falam que gostou da poesia, que é a mais bonita que vcs já viram e fica tudo certo.

(colocarei as duas juntas, pq é uma resposta)

SAZONAIS DESGOSTOS                                                 DESGOSTOS PRESSUPOSTOS

Eu não insistirei no nosso amor.                                       Desde sempre os pertences foram nossos,
Não há mais nada a fazer,                                                  Mas já há tempo o amor não nos pertence.
apenas separarmos nossa dor                                           Uma insistência, infelizmente,
nos pertences que agora se vê.                                         Seria mais dor a dividir.

Leve todos os discos – não os quero –                             Posso ficar com as cartas?
foram eles que embalaram as nossas vidas,                   Quem sabe um dia eu sinta falta
mas fico com os Pessoas e os Drummonds                      Das nossas noites mais bailadas
que cuidarão das minhas tristezas ressequidas.             Dos recitais enamorados.

Esvazie os armários e poupe-me da dor                          A lembrança sempre é traiçoeira
de ainda ter em suas roupas a lembrança                       E dela não sou isenta
de que um dia partilhamos um amor.                              Ainda lembro do nosso amor.

Restará ainda o seu perfume nos lençóis                         Restará de ti os sustenidos e bemóis
e no meu pente um fio do seu cabelo,                               As canções do nosso mundo inteiro
em minhas memórias os felizes girassóis,                        Como se tudo exalasse teu cheiro
no meu peito o mais profundo desespero.                        Carimbado nos meus girassóis.

Quando o tempo diluir as suas feições                               Se meu rosto sumiu do teu
e eu não mais recordar o seu rosto                                    Se o tempo não se opôs,
é porque sua imagem foi embora com as monções          Nossos desgostos foram pressupostos
numa vida de sazonais desgostos.                                      Numa vida de sazonais paixões.

Daniel Maia Silveira                                                               Nayara Oliveira

Bonita, fala sério!! Meu amigo é um talento em organismo.

Quer mais?

http://danielmaiasilveira.blogspot.com

À pessoa que tanto fez em importância na minha vida. Que tanto me compartilha e me atura, minhas maluquices e minhas fissuras. àquele que só quer a paz e a simplicidade. Aquele que é amigo de verdade.

Dani, você é arte e você faz P.arte (de mim).




sábado, 30 de maio de 2009

Dela Rosa


Não é o Samuel nem o Noel, trata-se de um(a) outra Rosa, que quem sabe um dia...


A Rosa, Dela Rosa
Tanto encanta quanto posa
Aos olhares de quem gosta
Aos ouvidos que canta.

A voz que lembra meu bem
Tanto faz se não me convém,
Mas a rosa tocada ao ouvido
É sentir carinho ao sentido
Inalando alguém...

Teu cheiro de poética paixão
Às rosas neste salão.
Vermelha tua música no meu corpo
Arrepia as bases bambas.

Eu ouso um dia saber,
No escopo nas verdades as tantas,
Alegrias que as rosas provocam quando cantam.

(essa sou eu, mas não contem pra ninguém)


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Retrato do meu porta-dia

O retrato
A casa mais bonita da rua é amarela, espero que um dia ela pisque pra mim, mas eu nunca tenho tempo de olhar pra ela diretamente. Os três barcos vermelhos que passaram por mim na praia, não entraram no ônibus e ficaram a ver os navios. A barquinha me coloca nos braços e me embala numa canção marítima suave que os anjos sabem bem qual é, menos o senhor do lado que mal sentou de tanta pressa, mais a senhora do lado que é a própria pintura em tela de um quadro (social) de Monet. No trabalho todo mundo sorri, mas ninguém está feliz. O sorriso é o crachá de identificação. O Rapaz de blusa branca entrou no ônibus na volta, ele não olhou pra mim, mas eu bem que olhei pra ele. É certo que ele tinha as costas muito bonitas, é certo que eu sou tímida demais. O gato creme, com olhos cor de brilhante pousou numa foto pra mim. Está tudo no meu porta-dia.

terça-feira, 19 de maio de 2009

No ponto de ônibus

Sai de casa pra procurar algo elementar, algo que fizesse com que eu sentisse calor. Obviamente não o sol, mas algo que sofresse de ostracismo ou que soubesse falar da vida. Mentira, eu sai de casa pra ir pro trabalho também. Mas isso era só um detalhe sórdido.

Era longa a caminhada até a esquina, mas era só virar pra esquerda e parar no ponto em frente a padaria. Estava lotado, cheio de gente por todos os lados, disputando milimetricamente a visão e o quadrado. Não tinha espaço pra mim ali, não tinha espaço pros meus pensamentos.Um ônibus chegou, ia pro centro. Como macacos, subiram alguns tantos se juntando aos montes já enlatados. Foi embora de maneira que a primeira marcha reclamou de tanta dor, mas depois obedeceu ao pé do motorista.

Os carros, folgados e apressados, mas sozinhos tentavam correr inutilmente com seus ternos e sapatos de couro de cabramacho. A mulher do meu lado, conseguia ser mais alta. Era bonita, mas eu sabia que ela estava procurando um namorado, porque olhava mais pros rapazes do que pra direção do ônibus. Não a condeno, sofrer de solidão dói mais que aguentar o salto alto no final do dia.

O 77 chegou e, da mesma forma que o outro, tinha braços e cabeças pra fora das janelas. Eu nem me arrisquei a subir. Aquilo não era o que eu estava procurando e nem deveria ser o que eu deveria achar. Deixei passar e esperei o próximo.

Com os passar do tempo o ponto foi esvaziando e eu mais no quadrado, me enquadrando. Até que eu fiquei só. As horas nessas horas não são a coisa certa a ver e não eram elas que me ajudariam quando eu chegasse ao trabalho. E de repente eu entendi o porquê que eu não estava irritada, porquê eu sentia frio e porquê eu não fui embora.

Um filhote de árvore plantado na sua cerca estava no meu lado. Por pouco pisoteado, verdinho que dava pra ver a clorofila passeando por entre suas novas veias, fraquinho que precisava de um pedaço de pau pra crescer. Não estava ali porque queria pegar o ônibus pra ir trabalhar. Nem as pessoas que ali estavam queriam fazer companhia pra ele. Nem eu que estava atrasada tinha percebido sua presença.

Pulei a cerca e fiquei fazendo fotossíntese com ele. Um diálogo interessante. Não demorou e me livrei dos casacos e estendi o braço apontando o dedo em direção ao outro lado da rua. O ônibus parou cheio de ar, eu subi. Meu patrão, que estava com frio, não entendeu minha posição. Azar o dele, que não sabe falar da vida.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Na praia


Um dia de praia pode ser mais que um sorriso...


Caminhei até a beira da praia e procurei um banco e uma sombra fresca. Ainda bem que existe uma árvore para me abrigar em baixo de suas asas, assim como minha mãe. Longe eu via um navio se despedindo, rumando ao infinito, ao desaparecer.

Uma pomba veio se sentar comigo, me olhou como se procurasse explicação. Respostas eu não tinha, então ficamos a olhar as pessoas encoleiradas a passear com seus cachorros. Lá na água suja da praia cansada, um peixe que dava braçadas descoordenadas conforme o medo de se afogar no raso. O barrigudo de pele clara e óculos escuros, sunga branca e barba preta andava rápido, com falta de ar, se esquecendo de que veio à praia pra descansar.

Uma velha se sentou do nosso lado, vestida com saia de pano de chão e camiseta de político surrada. Olhou-nos como se procurasse explicações. Respostas nós não tínhamos, então ficamos a olhar a criançinha de 50 centímetros que corria pelada pela praia dando 50 mil passos pra chegar à beira d’água.

As crianças do orfanato brotaram nos nossos ouvidos do nada. Olhamos, sincronizados, para o lado e vimos como elas eram felizes por disputar um téco de água no chuveirão, como nada importava naquela hora, a não ser a hora em que voltariam pra brincar na areia e se banhar no mar. Eu tive saudade daquela felicidade. A velha saiu nesta hora, talvez com medo ou porque tinha que fazer almoço. A pomba não fez cara de tanto faz. Uma família feliz passou rindo por nós.

Enquanto isso o louva-deus, verde como a esperança, sentado na árvore, olhava pra mim e via alguém de calça jeans e óculos escuros, branca como a noite e cabelos bagunçados ouvindo Kings of convenience. Eu olhei pra ele como se procurasse explicações, respostas ele não tinha. A pomba voou, o louva-deus ali ficou e eu fui pra casa comer minha melancia e ler Alberto Caeiro.
Foto tirada no Embaré, Santos

domingo, 10 de maio de 2009

Do âmago ao estanho

Vivi uma situação muito "normal" hoje em dia: a ilusão. Que dá o mesmo frio na barriga, a vontade de viver intensamente, de sair correndo e abraçar tudo, dar o mergulho de olhos fechados sem saber o nome do mar. Mas que, quando se mostra te joga no chão, tomando seu peito de sentimento triste e choro, de raiva pelo fingimento alheio, de traição. Essa é a ilusão.

Hoje, nossa paulicéia desvairada vestiu-se de nublado, como seu pretinho básico pronta pra pegar um cine cultura café com paixão. Eu, me vesti de cobertor e meia, veste a rigor caseira, fiz companhia pra televisão.

Desse tudo que foi meu dia, restou a poesia pra me explicar onde está o meu coração.

Do âmago ao estanho
na areia a angariar,
neste mar de sombras tristes,
ter o ânimo de voltar.

Traga você, que me partiu,
- eu não vou buscar -
as velhas vestes varridas
que neste corpo de vida
tantas vezes despiu.

E os cacos que encobre,
são vidros desta areia
que me prende nesta teia
feita de fios de cobre.

Sob as placas de metano
este valor tão mundano,
ainda inflama discreto
chamas do peito aberto.

Esquecer o meu coração
nos seus braços de mal me quer
cheio de vazia solidão
da ilusão que se fizer.

Traga que me pertence
pulso suposto estranho
de desejo que aquiesce
do âmago ao estanho.

Momma someday you'll be so proud of me...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Em dó

Sabe os dias em que qualquer música parece ter sido escrita pra você? Qualquer nota musical parece te compor? Então, hoje estou assim. Hoje estou em ...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O encontro

Essa mesa de bar já está pequena pra mim. Meus pensamentos andam muito mais espaçosos do que deveriam e este conhaque com groselha já tirou as minhas vestes pesadas. Na verdade era pra nos encontrar numa cafeteria como fazíamos antigamente, mas eu mudei, amadureci como um pêssego vibrante. Desde o último dia em que o vi, aprendi como me comportar em sua frente e agora sei o que não devo fazer. Este conhaque é só pra esquentar a frágil confiança e para não deixar que meus olhos me envergonhem.
Na verdade eu não acreditei quando ele disse que viria, ainda deixou que eu escolhesse o local. Sabia que isso seria uma provação, logo ele que é tão conhecedor dos “cafofos” mais propícios para as diversas ocasiões. É claro que eu me socorri dos amigos influentes, mas não acho que errei. Sei que ele gosta de discrição e por isso, acredito que este bar é o melhor lugar para esse reencontro.
Sonhei tanto com esse momento, desde aquela ligação no meu aniversário dizendo que não podia me acompanhar. Está certo que o que eu mais queria naquela hora era pular no pescoço dele, furar-lhes os olhos e arrancar cada fio daquela barba mal feita. Mas eu sei que eu estava apressando as coisas e com isso ele se assustou e sumiu. Eu tive culpa nisso tudo, por isso estou aqui. A culpa foi dos dois, mas eu só lamento de não ter dado certo.
O ruim nisso é que a Lucy não sabe que eu estou aqui, nem a Kitsune, porque se soubessem viriam me buscar e ficariam falando tanto bla bla bla no meu ouvido que... Pena que não posso ligar pra conversar com alguém enquanto ele não vem. Essa música é demais, mas o Cobain só ajuda quando estou trancada no quarto.
Já se foram quatro doses, e meu Deus! Afaste o relógio de perto de mim, minhas mãos estão finas de tanta gastura. Quem é esse cara que não pára de olhar pra mim?! Deve estar pensando: “Nossa, quem é essa idiota que vai beber sozinha? Coitada, não tem amigos, nem namorado...”. Idiota é ele, eu tenho amigos e não tenho namorado porque não quero, imagina, namorar, eu não tenho tempo pra isso. Porque ele está dando tchauzinho? Que absurdo, nem vou olhar, vai tarde. Deixa o Marcio chegar pra ele ver.
Ah! De quem é essa mão no meu ombro? Ai ele chegou, calma, respira. O que eu faço, brigo porque ele demorou? Ou finjo que nem notei? Ou digo apenas que tinha acabado de chegar? Oi... garçom?
- Srta. Sinto lhe informar, mas estamos fechando em 30 minutos. Peço para que se dirija ao caixa.
- Ahh, fechando...Há algum recado pra mim?
- Não senhora.
-Vou aguardar mais um pouquinho.

domingo, 3 de maio de 2009

Virada cultural

Depois de uma semana agitada, eu realmente esperava que tudo fechasse com chave de ouro, pois aconteceria, na minha cidade, a virada cultural. Estava feliz e orgulhosa por morar em São Paulo, por ser paulistana e por presenciar esse manifesto artístico colossal,  proporcionalmente ao tamanho que a cidade tem. Todos os tipos de artes: dança, música, cinema, literatura, pintura, teatro e alguma outra forma que não me lembro; inseridos na mesma noite, no mesmo contexto na mesma dinâmica. Todas simultaneamente, em todos os lugares e,  na maior parte, no coração da máquina, o centro.

Poucos conhecem a beleza daquele lugar, pois por ali passam todos os dias, mas nunca têm tempo de olhar pelas paredes ou pelo corredor. O centro de São Paulo é dotado de peculiaridade, é o retrato da cidade com um pedacinho de tudo. Tomado pela dicotomia da beleza com o horrível, do prazer com a dor e do tradicional com a modernidade descreve o silêncio dos pobres e a cegueira dos ricos, o sentido dos opressores e a desgraça dos oprimidos e nos proporciona, ainda sim, a hospitalidade de uma mãe brasileira.

A junção da manifestação artística com a mágica do centro de são paulo, fez da noite de ontem parecer um lugar místico. E por alguma hora foi, para alguns foi, por um sorriso foi, mas não foi para a multidão que estava ali para fazer p.arte do mecanismo de encantamentos. Os ingênuos como eu que se dirigiram até lá pensando que encontrariam suspiros de arte a todo lugar e a todo olhar, agregaram a si uma grande descepção. Encontrei muita arte, sim e por isso já valeu. Mas as pessoas que encontrei  não mereciam este presente que São Paulo lhes deu. Dotadas de má intenção, de balburdia, drogas, álcool e do sentimento de impunidade típico, como se naquela festa não houvessem leis. Elas fizeram da virada cultural uma transviada animal esquecendo que ali era festa pra apreciar as artes e não uma oportunidade para agreção, confusão e intrigas.

Talvez o problema esteja na carência dos paulistanos em ver arte no seu cotidiano, uma vez que é elitizada. Talvez o problema esteja na necessidade de esquecer os problemas que tanto pertuba num dia de trânsito e buzinas. Talvez não sabem se comportar em grandes festas e procuram uma distração insana que anestizie, pelo menos à noite, o sono que nunca é sonhado. Mas mesmo diante de todas as desculpas, de todas as carências e de todas as explicações nada é motivo para despir a roupa da sanidade e do respeito e tornar a alegria alheia em medo e pavor. No entanto, eu tenho motivos para me orgulhar da equipe de médicos, enfermeiros e toda estrutura de assistência presente, dos agentes que prestaram orientações ao povo e, principalmente, aos artístas que proporcionaram à minha cidade o prazer e a felicidade de fazer p.arte em mim e em todos que sentiram-se tocados pela emoção de sentir a beleza da expressão humana.

sábado, 2 de maio de 2009

Endereço

Quando quiser me encontrar...

Moro numa rua
que eu não sei de quem é.
Não conheço esse nome
e nem esse homem,
o que ele fez e porque é o dono
da rua de Josés.

Será que foi mesmo importante
para ser notado?
Desculpe-me se fui mal educada
e morei na sua rua sem lhe avisar.

E nessa noite me dei conta
que meu passado não é relevante
que nada fiz para me orgulhar
e que meu nome é só um instante.

Por causa da vida agitada
eu peguei a cuia e a minha mala,
mudei para a sua rua sem te falar nada
e você é uma placa que nada me fala.

Eu sei que meu nome não é mito
e que meu rosto desconhecido é igual,
mas se eu der um grito de fome
minha voz vai se refletir em seu consciente
e cada vez que eu gritar, serei imortal.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Dor de cotovelo

Esses dias eu levei um tombo que me custou a paz da semana inteira. Caí de lado e bati o cotovelo. Como me falta carne nessas horas, como penso na minha mãe pedindo pra eu comer. Fiquei deitada no chão como se fosse consolo. Ainda bem que só duas pessoas viram e fingiram, na hora, não rir. Só que eu fiquei rindo por fora e chorando por dentro de tanta dor. Disfarcei e me levantaram. Eu não sabia que dor de cotovelo doía tanto...

Ahh se ele me desse bola.

domingo, 26 de abril de 2009

O povo e o pavão



E o povo ficou de olhos arregalados,
mas o pavão nem se prontifica.
O menino fez o passe
e o pavão pegou a fita.
Saiu correndo assustado
de tanta gente esquisita.

O povo chateado,
só queria conhecer
o pavão preocupado
queria desaparecer.
No final, cada um pro seu lado
e uma foto pra não esquecer.

Das tripas coração

Mais uma vez estava tudo bagunçado, não só o meu quarto. De um lado, o amado. Fruto de um amor impossível, mas mais que tudo querido. De outro o amante, fruto da macieira, que desvirtua e cultiva a paixão. E no muro o meu coração, que olha de um lado pro outro indeciso, que escorrega às vezes num desaviso e fecha os olhos querendo a solidão.

O meu Amado tem bom gosto, tem estilo e bom posto. Sabe das artes e das línguas, tem humor e até uma ginga. Diz dos bons livros e das músicas mais eruditas, mas fala das gírias e até das gurias com quem ele já se relacionou. Diz que sou bonita e que me quer, diz que terei o posto de sua mulher, porque sou perfeita pra o feito. De maneira que os filhos serão direitos e não darão desapontamentos. Que o meu nome rima com o seu. No entanto, está tão longe que eu não sei até que ponto a verdade corresponde às palavras por ele dita. De tudo isso não age, é inseguro e desatento, mal me deu uma flor. Fica esperando que eu eleve seu ego ou que eu tome atitude como colo materno, mas o meu colo não é. Tem ciúmes da minha sombra e quer que eu venda a liberdade pelo carinho, mas liberdade não se compra. Não sabe nada de amor.

O meu Amante é danado. Sempre pontual e nunca chato. Não sabe nada de astrologia, muito menos de economia, mas sabe todos os modelos de carros, futebol e anatomia. Sempre com uma rosa a me presentear. Olhando feio pros caras que ousam me paquerar. Não reclama quando eu não tenho tempo, só lamenta o momento. Puxa a cadeira pra eu sentar. E quando eu estalo os dedos, ele aparece com uma piada nova a me alegrar. Sempre pronto pro romance, mas não me cobra os outros lances. Porém ele é deseleixado, daqueles que tudo é de bom grado. Não estuda nem tem ambição. Qualquer coisa é motivo de zueira, tudo vira asaração. Diverte-se em outros risos, some e nunca dá um aviso. É da noite e não conhece a solidão.

O meu Coração já sofreu demais em ficar só e agora vive um impasse que não podia ser pior. A dúvida é a traição mais reticente, que por falta de um ponto tem três. Não digo que não me sinto aliviada, porque da solidão não é mais criada, mas a sorte só apronta aos meus princípios. Ou eu aprendo a voar, e saio desta tocaia ou faço das tripas - este - coração.

sábado, 25 de abril de 2009

A fingidora

Duas postagens para um dia parece muito, eu sei. Mas ainda não falei o que me vêm a garganta. Ainda ontem eu assisti uma entrevista com o poeta Ferreira Gullar. Magnífico! Ele me contou de quando descobriu o que era poesia e descreveu a cena. Não cabe aqui relatar, mas cabe dizer o que eu senti: "eu não sei o que é poesia". Escrevo alguma coisa porque as lágrimas não bastam, porque o sorriso não basta, porque o sonho não basta ser sonhado. Se não escrevo, desenho. E muitas vezes desenho, choro, escrevo e saio correndo. Às vezes só escrever é significativo.

Mas sabe, eu não decorei nenhuma das tantas, eu não decorei nem a minha preferida - que Caeiro não me ouça. Eu não sei contar as rimas, maldita métrica! Muito menos de cabeça... Eu não sei rimar. Eu sei que minhas mãos pulam pra linha de baixo e quando vejo já tenho uma estrofe. Que as palavras vêm afobadas e ficam piscando nos meus olhos a ponto de me deixar sem pensar em qualquer outra coisa e de repente vão embora, mas elas sempre voltam. Tem umas que nem saíram da minha cabeça ainda. Que eu olhei pra mulher negra e fiquei tão feliz que fiz um poema pra ela, sem ao menos conhecê-la. Ou quando invento uma dor ou um sentimento que não sinto ou que sinto e finjo não sentir.

Eu sei que sou uma fingidora, que finjo tão completamente que chego a sentir que é dor... e os que lêem o que aqui escrevo, espero que a dor lida sentem bem, não as dores que eu tive, mas as que vocês não tem.

Eu sou meu poema e poeta. 
Eu não sei quem sou.

O violino


À minha amiga Mariana, que com seu violino me encanta e de quem eu tanto tenho saudade.


Eu vi
o violino me encantando com o seu tocar.
Ouvi,
a mais bela das mais belas sonatas.

Oh! Violino vil
Ensinastes-me a fazer parte
do prazer de flutuar.
Sentir
as notas em cada célula chorar.

Oh! Violino como ousas?
Fazer meu corpo anestesiar?
Boquiaberta, desconexa,
Arrepiada,
nos pêlos , o cabelo,
minha pele, minha alma,
Meu amor.

Se, volto aqui toda noite
para te ouvir em consorte,
é porque me deixa forte
E me faz feliz.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Hey, Bungalow Bill

Código Penal - Art. 121 matar alguém - pena: reclusão de 6 à vinte anos. Quando diz "matar alguém" se refere a tirar a vida biológica de alguém. O Estado diz: "Hey você, não é permitido tirar a vida de ninguém, se fizer vai preso, entendeu?" e essas são as regras da socidade, todo mundo aceita, e não questiona. Mas eu pergunto: Pode o Estado tirar a vida de alguém?

Quantas representantes do poder público agem como se tivesse o poder de decidir quem será o próximo alvo, rasgando o que eles pateticamente protegem, a lei. Não digo todos, mas alguns e como a injustiça manda, toda classe paga pelos pecados do mesmo. Sinto-me como se fosse o leão e eles à caça de algum delito cometido por mim. Que pago meus impostos e que, as vezes, quero sair pra beber com os amigos.

E quando o Estado pega o infrator e o coloca num lugar desumano, sem condições de vida e dignidade junto com outros infratores que cometeram outros tipos de delitos, uns mais perigosos e outros menos, uns culposos outros dolosos. Todos juntos a pagarem por suas penas. O Estado os tira a liberdade em tese, porém lhes tiram a dignidade de viver como gente matando seus anseios pela vida. Leões em jaulas que vivem nas leis da selva, as leis da sobrevivência. Se eles não compactuam com as leis da sociedade a culpa é de quem?

Está tudo errado e todo mundo fecha os olhos, mas eu sei que um dia tudo isso vai explodir e ai teremos uma revolução.

Enquanto isso eu vou cantando: 

Hey, Bungalow Bill
What did you kill
Bungalow Bill?

sábado, 18 de abril de 2009

Sol


Sol, saia agora do meu corpo
porque a escuridão dói demais
ilumine as janelas afora,
pois a literatura não satisfaz.

Saia de mim e leve-me a supremacia.
Peça que olhe pelos filhos teus.
Filhos de Sol, sem pé e de fé pagã,
que chora calado feito chuva de manhã.

Há tanto sol nos arredores
mesmo editado na minha essência.
Ilumine a esperança torta
Para que em dores haja clemência.

Saúdo-te Oh Helios!
Na abonança da verdade.
Faça de mim instrumento,
que derrete o ouro da maldade.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O que faz mulher chorar?




Um motivo que faz a mulher chorar é a falta de romance antigo. Esse romance moderno é chato e fast food. Elas não querem jóias caras, isso compram com seu dinheiro. Elas querem a velha valsa na chuva. o buquê de rosas vermelhas no trabalho, um cafuné desavisado. O que faz a mulher chorar é a falta de amor e a falta de se amar.






Eu mais que tudo quero um romance. O resto eu vou correndo pra não perder o bonde...



"Mulheres chorando" - Pablo Picasso

domingo, 12 de abril de 2009

Já de noite

Resolvi voltar andando, já estava noite e muito calor. Os estranhos me acompanhavam pela calçada e do outro lado também. Todo mundo espera um romance numa noite de lua cheia. Os fones de ouvido ritmavam meus passos, sempre apressados como se eu caminhasse à alguma surpresa, porém, apressados pelo medo de algo ruim acontecer.

Caminho em direção a minha casa por obrigação, mas com o sentimento de que qualquer desvio seria bem-vindo. Estou cansada de ter que todos os dias repetir os mesmos passos, cansei de ter o mesmo corte de cabelo e não ter dinheiro pra mudar, de ter as mesmas roupas, o mesmo tênis, a mesma mentalidade fútil de acreditar que essas coisas podem melhorar alguma coisa na minha vida. O que dói é que eu sei que pode ser fútil, mas eu realmente acredito. Essa insatisfação hospedeira que se alimenta da minha carne e da minha luz faz com que eu vire minha cabeça para a bela vitrine da moda e sinta: eu quero! 

Como posso saber que estou sendo induzida a tudo isso e ser fraca demais para negar? Mesmo sabendo do caminho mais certo desta estrada que é o querer, eu não consigo não pensar no meu ego. Eu preciso de todas essas coisas pra viver na sociedade vitrinista que é a Paulista. As pessoas são o que elas se apresentam ser. O que elas escondem no íntimo, são os  seus monstros dominados querendo sair. Eu tenho vários monstros.

Eu sei que sou muito mais que roupas e rótulos, mas procuro ocupar meus sentimentos com o que a sociedade me serve e infelizmente nem tudo é bom. O que eu não sei se quando estou exposta eu aparento aquilo que quero ser, ou melhor, aquilo que sou. De outra forma, essa importância não é tão importante, porque não me impede de seguir, além da esperança que as coisas vão entrar nos eichos, que tudo não passa de uma crise mundial. Um velho maltrapido acabou de sorrir pra mim. Estou voltando pra casa outra vez.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Depois do almoço

Depois do almoço é sempre triste, todos os arrependimentos alimentares montam nas minhas costas e me prendem no sofá. O ócio talvez seja o meu melhor aliado, porém é também amigo da depressão, assim, vivo na corda bamba entre o prazer e o desespero. Isso tudo porque nós pensamos que podiamos dominar os sentimentos e os sentidos, toda via, não dominamos nem as nossas pernas. Cresci acreditando que o homem era o animal racional e que fazia sua história. Agora, vejo que a história é muito mais triste do que gloriosa. Há aqueles que sustentam a teoria de que pra ganhar é preciso perder, mas eu vejo que perdemos muito mais do que ganhamos e quando isso acontece, a perda é em dobro mais agressiva.

Até que ponto essas facilidades que nos fascinam é boa? É a coisa que eu mais quero saber, uma das, na verdade. Porque eu quero saber de tanta coisa que o google não me diz, ou não quer dizer. Eu consegui virtualizar meus sentimentos. Virtualmente eu sou mais feliz. Eu sou bonita, inteligente - todo mundo é inteligente quando se tem uma aba do google aberta - eu tenho carinho e sou amada, todo mundo me ama. Mas ao mesmo tempo  o abandono que canta nos meu ouvidos virou a trilha sonora dos meu dias. Tudo está mais fácil, porém vivemos (porque eu não sou a única a sentir isso) em uma galática crise existencial.

Queria eu ser dominadora de sentimentos e sentidos. Não somos, homens, não somos. Dominamos nosso conoscivo, porém negamos com todas as forças a sentimentalidade. Eu não adoeço mais quando vejo alguem pedindo esmolas na rua, eu nem ligo. E quando alguém grita? Será que eu escuto? Eu só ouço aquilo que me convém. Estou com saudades do radinho de pilha que não tive. Cansada, ligo o meu computador e vou ver quem entrou no meu orkut antes de estudar. Acho que comi demais.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

De manhã

Todo dia eu acordo com aquela sensação de que dormi duas horas, tomo meu café amargo com gosto de 10 horas da manhã, esfrego os olhos como quem não quer ver que acordou e que o dia começou. Não necessariamente espero que o dia me receba bem, mas ver o sol da minha janela já é uma boa distração pra quem sonha com um mundo melhor. Eu não sei porque me coloco em situações que sei que não vão me agradar. Eu não sei porque insisto em esperar por você, o que fizestes pra mim que me faz ficar presa?Eu não sei.

Sempre voei mais alto que todas as mulheres, nunca amarrei meu burro, tatuei a liberdade em meu corpo e a minha independência, coloquei num pedestal. Agora vem você, com cara de quem não quer nada, que precisa de ajuda e está carente, até fez cara de quem goza de tristeza e que só a minha superioridade pode ajudar. Me disse palavras doces, amaciou meu ego, pegou no meu ponto fraco e se segurou quando parecia desmoronar. Agora, eu me mostrei pra você, me desarmei. E desde então, cortei minhas asas, botei num potinho minha liberdade, para viver você. No entanto, estou aqui esperando que cumpra suas promeças.

Você me cobra pra eu não olhar os outros caras, mas cadê você perto do meu olhar? Diz que quer me ter todos os dias, mas cadê os dias no seu querer? Eu, particularmente, nunca achei certo cobrar as pessoas. Acredito que todos tem consciência de seus cativos e responsabilidades, mas eu não consigo dizer um oi sem pensar em todas essas cobranças.

Promessas não deveriam existir. Não num mundo racional como o meu e eu não acredito que acreditei nos contos que eu mesma repudiava. Pior que eu tenho consciência de tudo e me reporto como se não soubesse. Fingir pra quem? A dor só não é maior que o gosto destes pensamentos no café da manhã. Ligo a tv, repouso minha cabeça no braço do sofá e nesta hora eu sou feliz.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Agora veja

Eu fiz de você minha verdade
A minha mentira mais ardente
meus sonhos materializados
meu amor atinente

De longe me chama e me adora,
mas não me leva embora
diz que não tem por onde
diz que é pra esperar.

Agora veja,
eu me guardo e me agarro
a um suspiro retrato
disposto na imaginação.

Agora veja,
minha face angustiada
esperando na calçada
um sentimento pagão.

Agora veja,
não sou dona dos sentidos
espero você aqui comigo
pra celebrar a solidão.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Essa é a verdade mais mentirosa que já me contaram

Assim, me disseram que o homem é um animal racional. Se precupa com a sua sobrevivência e com a sobrevivencia dos demais que ama. É sincero e verdadeiro com os sentimentos, conserva a justiça e a liberdade como princípios primordiais no seu caminho. É leal aqueles que deve gratidão e àqueles que ama, mesmo gratuitamente, sim ele ama gratuitamente. Não deixa que seu interesse pessoal se sobreponha aos interesses daqueles que ele quer bem. Ele se preocupa com o mundo em que vive, e por isso faz de tudo para cuidar do mesmo. Ama a natureza. Não se irrita quando contrariado a ponto de ser rude com os que não tem nada a ver com a causa. Sabe dizer obrigado. Não é avarento, não é mesquinho, e criou a cordialidade porque está na sua natureza. Sim, o homem é racional.
Feliz primeiro de abril.

sábado, 28 de março de 2009

Nublado


Tudo gira e conspira a favor do tempo
e hoje tudo parece estar nublado.
Quantos certos serão necessários para acertar o errado?
Eu juro que miro certeiro,
mas a minha mira pode estar do outro lado
que os meus olhos não conseguem alcançar.
Eu não arrisco a dizer que está tudo bem.
Pois eu não controlo meus impulsos
e a vontade que eu tenho de acertar é incandescente.
Eu não me orgulho de não trazer o sol pra perto de mim.
Mas toda causa tem seus sacrifícios.
Eu não me importo que meu coração seja amputado,
desde que o sangue dele derramado
alimente os que não têm amparo.
Espero que o calor traga respostas
e clareie a visão sem reparo.
Porque hoje, tudo parece estar sem girar
em favor do tempo que conspira com o nublado.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O MEU Direito


Por voltar à vida acadêmica, eu criei esse blog para servir como uma “válvula de escape”. Postar minhas poesias, textos complicados e imperfeitos e algumas fotos. Blog este que eu (intrometidamente) fiz chamar de P.arte. Que seria a conjunção de poesia e arte, brincando com a palavra parte. Pensando nisso, perguntei-me: “Mas o que é arte?”. Essa resposta, curiosamente, eu não soube conceituar.

No meu mundo, eu tive que aprender a conceituar tudo, mas, principalmente, questionar tudo. Primeiro começa-se com: O que é o Direito? Logo, o que é Estado? Como uma pergunta puxa a outra, minha cabeça começou um bombardeio de: o que é a norma? O que é a regra? E a lei? São iguais? Diferentes? Qual é a diferença? O que é direito positivo? Subjetivo, objetivo ou costumeiro? O que é a constituição? Os princípios?Entre milhões de outras perguntas.

Eu estudei todos esses conceitos, mas confesso que definir precisamente todos, eu não sei. Mas se perguntarmos para os Ministros do Supremo Tribunal Federal, eles sabem na ponta da língua. Se perguntarmos pro presidente da Câmara, ele sabe de cor. Se perguntarmos par tantos outros que movimentam a máquina jurídica com responsabilidades do mais alto escalão, eles saberão.

Agora, se eu perguntar pra manicure do lado de casa, pro pedreiro ou pro morador de um albergue eles, salvo exceções, não saberão. Eles sabem o que é fome, o que é dificuldade pra chegar a um lugar com o transporte público, o que é viver de um salário mínimo e não ter dinheiro do 15º dia útil, o que é ter que agüentar quieto o patrão que humilha e fere sua dignidade, o que é ficar na fila pra poder comer sem gastar muito, etc.

Certamente, se perguntar para os citados no terceiro parágrafo se eles sabem conceituar esses problemas sociais, eles não saberão. Podem tentar enrolar, mas com exata precisão que uma definição exige, não. Desta forma eu pergunto: O que é mais importante? Se o Direito retrata a realidade social, onde a sociedade formula leis para viver em harmonia ao encargo de todos darem um pouco de sua liberdade em troca de serviços públicos estatais, porque interessa saber todos aqueles conceitos se a realidade não é conhecida por aqueles que deveriam conhecer? E pior, os mesmo não se interessam em saber. O Direito pra mim está além dos conceitos e teorias, prazos ou burocracias. Direito é ser direito, estar direito e ter os seus direitos. Desculpe, doutor, mas você fica com seus conceitos que eu fico com o meu direito.

domingo, 22 de março de 2009

"Se" não existe ponto


Estava andando na paulista, parei na faixa de pedestres esperando o bonequinho ficar verde enquanto os carros se exibiam pra mim rapidamente. Senti um cheiro tão ruim, azedo, seboso que logo pensei: Meu Deus, que cheiro é esse?! Quando olhei pra trás eu vi que se tratava de um homem maltrapido e descabelado.

Eu não sei se esse homem era o mundo ou se o meu nariz era o preconceito. 

Vocês sabem qual foi minha reação e eu não me orgulho desse Tudo que é o Todo, talvez fosse diferente se..."SE" não existe.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A atração e a gravitação


Este trecho abaixo exposto é uma nota de roda pé do livro "Dos delitos e das penas" de Cesare Beccaria. Ele está falando do crime de adultério (que nosso ordenamento jurídico não é mais crime), onde ele tenta explicar o porquê do adultério dizendo que é um crime observado sob o ponto de vista político e que é comum uma vez que tem como prisma a atração que os dois sexos sentem um pelo outro.
Eu não quero discutir a traição aqui, deixo essa discução pra outro dia (quem sabe quando estiver doendo em mim). O que quero é mostrar a bonita comparação da atração sexual humana com a gravitação universal que ele faz. Vejamos:

" Essa atração, parece em muitas coisas com a gravitação universal. A força dessas duas causas diminuem com a distância. Se a gravitação altera os movimentos dos corpos, a atração natural de um sexo por outro atinge todos os movimentos da alma, enquanto perdurar sua atividade. Tais causas são diferentes pelo fato de que a gravitação se coloca em equilíbrio com os obstáculos que acha, enquanto a paixão do amor adquire com os obstáculos mis força e vigor."

Aqui ele dá o mesmo sentido a atração natural com a paixão do amor. Ao meu ver, toda paixão tem atração natural, mas nem toda atração natural tem paixão. E se formos pensar no que sentimos quando se é atraído por alguém, no descontrole que temos sobre nossa razão quando estamos "doentes desse mal (ou bem)" fica quase perfeita comparação com com a gravitação universal. Da mesma forma que a maçã sente uma atração natural pela terra, nós seres humanos temos por nós mesmos.

domingo, 15 de março de 2009

As regras


Aos controladores do coração.

Limita-me, a minha significância em ti.
Encubra todas as andanças por ai.
Não me misture no seu copo com gelo
não me dê apego, me dê sossego.

Insista em se fixar em mim,
mesmo quando não está em si.
Não desista de me ter na mão,
sejam os seios, anseios ou o perdão.

Leve-me aos lugares arejados,
mas não me dê muitos cuidados.
Não desgaste meu novo rosto
com tanto desgosto desavisado.

Habilite-me ao seu coração efêmero,
e anexe o meu amor permanente.
 O seu volátil ser, que amo a esmero,
na minha essência conjugalmente.

Eu te dou as regras e fico com as rédeas.
Eu te faço ausente do displicente.
Verás em mim, motivos afins
para ser seu começo, meu meio, nosso fim.


domingo, 8 de março de 2009

Mulher

Aos seres de estrutura perfeita e magnitude esplendorosa. Dotadas de sensualidade e sabedoria, paciência e racionalidade. A nós, filhas de Vênus, toda a glória e vitória neste machismo mundista. Rosas à vocês mulheres, um tributo - gratuito- a nossa existência.

Em homenagem ao dia das mulheres...

Fogo que queima,
que arde e que teima.
Em mim, nascer, queimar e arder.
Eu sou o fogo
vermelho e quente,
o mundo inteiro sente
meu corpo ferver.
Fogoso só,
perigo maior,
incendeia a mente
faz-se na gente
hipnóse verbal.
Tomo o todo
misterioso,
sou tudo o que quer
Eu Sou MULHER.


"O nascimento de Vênus"
Pintura de Sandro Botticelli e está exposta em florença, Itália.
como já falei de Vênus por aqui
deixo o link para mais informações sobre esta grande obra.
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Nascimento_de_V%C3%A9nus

sexta-feira, 6 de março de 2009

Montanha Russa de Estimação


Quando montei no carrinho, papai e mamãe disseram: “que coisa mais fofa!”. O meu instinto de sobrevivência verificou se a trava estava funcionando e se o cinto era de segurança mesmo. Minhas mãos se agarraram ao apoiador como se cola tivessem.
Logo, os parentes vieram visitar trazendo delicados mimos, repetindo o mesmo discurso que meus pais. Com isso e com o tempo o carrinho foi subindo e com ele minha delicada auto-estima. Não se sabe muito bem porque, mas o meu coração avisava que tudo que sobe uma hora cai, é a lei maior. Ora se não caiu.
Eu costumava ser uma criança bonitinha. Cabelo bom, franja na testa e um doce sorriso inocente. Até eu entrar na escola e descobrir que eu era a mais alta da turma. Aquela que sempre fica com os meninos na fila sendo chamada de “saracura”, enquanto as outras meninas ficavam de mãos dadas com a professora. Foi ai que eu vi que o carrinho começava a cair. Pegou velocidade mesmo quando eu me olho no espelho na hora de ir pra escola e vejo que era banguela. Mas banguela de um dente da frente. Só faltava ser coxa.
Mas nem tudo estava perdido. Virando a curva depois da longa descida comecei a sentir um friozinho na barriga, estava na adolescência. Meu corpo começou a mudar, comecei a ter formas esculturais e os garotinhos começaram a notar a minha presença. Eu sentia que o carrinho estava a subir novamente. Ainda quando se encontra o primeiro amor, o primeiro beijo. Tudo parece um conto de fadas. Até o cabelo começar a dar trabalho, o nariz crescer mais do que devia, a aparecer a primeira espinha, entre outras coisas. Meu Deus, como durou tão pouco a subida e como foi tão rápido pra logo ser comparada a um abacaxi. Pelo menos abacaxi é gostoso por dentro. Nessas horas, eu já tinha me acostumado com a descida. Soltei a mão e deixei o vento me alegrar um pouco.
Mas espinhas também passam e quando passaram eu já tinha virado uma mulher com “M” maiúsculo. Comecei a aparecer novamente pro mundo e com isso, tudo passou a subir junto com a minha auto-estima, até a malícia. Veio junto o segundo amor. Ah! Pra me conquistar disse que eu era a garota mais bonita da festa. Que ego estúpido, acreditou. Até eu escutar que ele só tinha ficado comigo por aposta e que eu era “aquela magrela estranha”. Eu nem era tão estranha assim. E “Uouu”, E lá vou eu descendo com tudo. Nessas horas tudo já é diversão, sem medos de soltar as mãos.
Eu sei que tem sido assim, uma hora eu tenho auto-estima outra tenho baixa-estima. Uma hora eu estimo demais as pessoas, outra hora eu não estimo nem a mim. Há horas que me sinto superestimada e outras que me sinto desestimada. E assim sigo nesta montanha-russa de estimação. Só sei que quando eu descer deste carrinho eu terei a certeza que vou entrar na fila novamente pra viver tudo outra vez.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Aos Marcelos de minha vida

Marcelo Marmelo
ou será Marcelo Martelo?
Mais pra ele do que pro elo
que tem o marmelo com o martelo.

Mas será que o que Marcelo Marcelo
usa chinelo amarelo?
Ou será que o Marcelo é um amarelo de chinelo?

Mas será que o Marcelo Martelo
é forte pra uma duelo?
Ou será que ele vai pro duelo armado de martelo?

Mas será que o que Marcelo Marmelo
é tão doce quanto o doce-de-marmelo?
Ou será marmelada o Marcelo?

Marcelo da cela
Marcelo do selo
Marcelo se espelha
no Marcelo do espelho

Marcelo Camelo
Marcelo Martelo
Marcelo Coelho
Marcelo Marmelo
Marcelo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Rockabilly baby!


Ontem eu fui num show de uma banda de rockabilly argentina, Los Primitivos. Nossa, os caras são bons. Topetes e camiseta regata branca, calça jeans e o rebolado dos quadris. Guitarras e contra-baixos acústicos. Inevitável não lembrar dos anos 50. Não que eu tenha vivenciado esses anos presencialmente, mas quem vive pela música, vive a época que quer.
Salve Bill Haley, salve!
Salve Little Richard, salve!
Salve Chuck Berry, salve!
Salve os introdutores deste movimento tão sulista e peculiar que encantou, não só os Estados Unidos, mas o mundo inteiro.
Quando digo topete o que te vem na cabeça???Aha! Sim o Próprio Rei do Rock, o mais charmoso, o mais encantador, o mais cheiroso dos cheirosos (tah, eu nunca cheirei ele ¬¬) Elvis Presley!!!!! \o/
Simmm, ele foi o principal culpado por difundir esse estilo rockinrollistico. Com ele vieram outros como o querido Jerry Lee Lewis e o fabuloso Johnny Cash. Aii ai, não há como não suspirar ao ouvir o grave de " - Ohh Dany boy!".
Há épocas que já passaram e outras que passarão e que nem sempre se pode viver. Vivê-las atravez da música, dos custumes e tradições sem sair da sua realidade é uma das experiências mais maravilhosas que o ser humano pode sentir. É conhecer sobre a história dos seus antepassados e conhecer os caminhos que passaram para entender os que virão.

Elvis não morreu!!!

Foto - Jerry Lee Lewis, Carl Perkins, Elvis Presley e Johnny Cash, respectivamente.

Sites:
http://www.rockabillyhall.com/home.html
http//www.myspace.com/losprimitivos
http://br.geocities.com/elvispresleyhomepage/artigo25.html

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Eu não acredito em reticências

Querido Leitor, essa postagem não é para ser lida com pressa ou impaciente. Trata-se de um texto prolixo e confuso, como eu. É para se refletir, medir cada palavra escrita, desenhar na mente todos os significados e aplicá-los ao coração. Espero ter traduzido a letras, os sentimentos e sentidos que possui quando escrevi, e ainda, espero que possam sentir comigo.

Este texto fala sobre a nossa descrença em terminar as coisas, no nosso medo de fechar os buracos com algo concreto e não com esparadrapos. Em não acreditarmos que possamos viver um amor verdadeiro nos dias de hoje sem pensar no trágico amanhã.
É dar elementos ao elementar, é acreditar que há chances de ter um final feliz, é fazê-lo independente do narrador de nossa história. É ser auto-suficiênte e mesmo assim ser incompleto e aceitar a necessidade de ligar-se a outras vidas. É acreditar no "EU TE AMO" - mesmo tão banalizado hoje em dia - como forma certa e determinável e saber botar um ponto final depoi se for necessário.


Não acredito em reticências, mesmo que elas sejam feitas de bolas de neve, de bolas de sabão, de bolinhas-de-gude ou de algodão. Serão sempre inacabadas, como aquelas festas que não tem som, ou aquelas músicas que não têm notas, ou até mesmo aquele beijo que não tem lábios, nem bocas, nem dentes, são apenas palavras...

Eu não acredito que a vida é uma reticência, pois o começo se dá e, em instantes, está tudo acabado. Mas não acabou, há três pontos, onde se recomeça uma nova trilha, onde a luz no fim do túnel é simplesmente um ponto final. Ponto como aquele que diz ser cruz, ou aquele que faz esperar a condução, ou simplesmente aquele ponto que termina um conto que faz sorrir, sem sentir a real sensação...

Eu não acredito que o mundo possa fazer parte dos pontos de uma reticência, como se a Terra fosse a ultima ou a primeira a chegar à luz. Eu não acredito que a natureza não revela todos seus segredos mais incompreensíveis. Que o homem reticência com uma instabilidade que faz a física criar leis, sem se julgar por estar se descobrindo em uma lógica sem igual...

Não acredito que meu ego briga com meu superego por serem gêmeos nas essências e antagônicos na consistência, como o sangue que briga pelo coração que , quando roubado, preocupa-se com os batimentos alheios, esquecendo-se de sua função. Como o meu corpo que, quando perde a razão, fica machucado numa batalha já perdida. Preso em uma ilusão do mal incutido...

Eu não acredito em reticências, aquelas que fazem meus nós e minhas nozes, que alimenta. Que brotam das idéias de uma mente, a qual não se sente. Mas eu, principalmente, não acredito que tenha uma semente dentro dos meus canais, que estes, me ligam à sua esfera e que me faz maravilhar com um tudo tão grande que só há uma explicação: eu não acredito que você disse não acreditar que o seu ser era reticente sem o meu ser e que o meu ser era suplente do seu. Que todas as crenças só têm validade se os nossos pontos fossem três clássicas palavras, que unem todo o amor que não cremos ter.

XD

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Folhadas à ouro



Eu nunca desenhei folhas amarelas. Se soubesse que ficaria assim, teria tirado 10 em artes.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Tragédia poética

Não há mais poemas de amor
e esqueceram de me avisar.
O poeta preocupou-se com seus foros
e esqueceu-se dos sentimentos.

E o amor que tudo pulsa,
Que o todo faz para ter,
despedaça-se em lágrimas
de um coração que não sabe bater.

Oh Grande Poeta! Este poema,
são palavras de tinta sintética
que caracterizam a morte da alma
Nesta tragédia poética!

Nayara
31/01/2008

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Inconstitucionalissimamente

Quando criança, indo pra escola, me lembro de uma passagem que se deu na perua escolar.
Tinha uns 6 anos, aproximadamente, e brincávamos de falar as palavras mais complicadas. Pra mim era LI-QUI-DI-FI-CA-DOR. Acho que por causa do "qui". Eis que surge a palavra IN-CONS-TI-TU-CI-O-NA-LIS-SI-MA-MEN-TE.
Mewww, muiiiito grande e difícil! eu sabia o que era liquidificador, mas essa palavra gigantesca eu não fazia a menor idéia. Fiquei repetindo pra não esquecer. De fato, não esqueci e hoje nem dá pra esquecer.

Inconstitucionalissimamente,
eu dei licor de coco com água-ardente
para as crianças carentes
dizendo que era leite.

Inconstitucionalissimamente,
eu fiz bolo de haxixe
reguei com caldo de pimenta
e dei pros velhinhos do asilo.

Inconstitucionalissimamente,
eu furtei o Manuel
disse que foi o José
a mando de Maria.

Inconstitucionalissimamente,
eu roubei, seqüestrei,
extorqui, torturei
xinguei a mãe e matei.

Inconstitucionalissimamente,
eu vesti terno e gravata
menti pra ser votado
consegui ser presidente do Senado.

Inconstitucionalissimamente,
me obrigaram a carregar
um livrinho chato na mão
chamado CONS-TI-TU-I-ÇÃO.




constitui"são"
constituisomos!
Eu não constitui nada...
Eu não sou nada...
Não assim!