sexta-feira, 23 de abril de 2010

Básico

Basicamente há uma cura,
Adormecida nos corações.
Sem rumo, sem pressa
Idênticos aos motores.
Comuns, sem sentimentos
Obrigados a não sentir
Orientados a não prestar atenção.
Eles consomem acordes sem sabor e
Indiferentes seguem a multidão
Sacaneando as expressões.
Acontece que para eles,
Basta a necessidade de faltar pedaços...




Bom, como puderam perceber são poemas conjuntos, como se fosse a resposta à acidez.
Faz um tempo que escrevi essa dupla (em 2007), mas pra mim é muio presente. Poderia dar a vocês tantas interpretações, tantas posições, mas fica a imaginação, que é a bailarina do pensar.

Pensei em retratar o básico em minha arte, mas é muito difícil discriminar aquilo que não é perceptível, mas que ao mesmo tempo é inerente ao Tudo.

Básico é:
1- O que serve de base;
2- Quem tem excesso de base;
3- Que tem o valor de pH superior a 7, a uma temperatura de cerca de 25º C. Igual a alcalino e diferente de ÁCIDO.

sábado, 17 de abril de 2010

Ácido




Aumente o volume.
Certamente seus ouvidos padecerão.
Imagine o mundo corroído,
demasiadamente feliz
ostentados por acordes lúdicos,
obcecados por prazer.

Desculpe a sinceridade mas,
Ingênuos, todos cedem.
Como se fossem obrigados a gostar.
Amanhã, certamente, lhes faltarão pedaços...


Este post é dedicado ao meu amigo Toni, toniboy!

Projeto Colagens - "Acid test"; 2008, Nayara Oliveira

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Selo Beautiful blogger


Eita, mais selo ai pra nóis!
Esses amigos!
A galera do Lado B indicou este selo ai http://b-acido.blogspot.com/2010/02/1-selo.html
Como boa amiga que sou, vou retribuir
Lado B, obrigada!!!


Hã?! Sete coisas sobre mim? ^^
1 - Um ser complexo
2 - Chico Buarque, Beatles e Interpol (e vários outros)
3 - Adoro alfajor e suco de laranja
4 - Nos finais de semana na Augusta lixo
5 - Movie & move!
6 - Alberto Caeiro e Conan Doyle
7 - Faço Direito e vivo errado.


Agora a parte melhor, os blogs que eu recomendo:


No Passo do Mundo
http://danielmaiasilveira.blogspot.com/


Essa Boneca tem Manual
http://olharpramim.blogspot.com/


Lado B
http://b-acido.blogspot.com/


Escrevo para me perder
http://rgpfarrius.blogspot.com/


Um grão de João
http://jcotero.blogspot.com/


Blog das duas e dez
http://duasedez.blogspot.com/


O Cordão
http://ocordao.blogspot.com/

Tem mais um monte de blogs que eu recomendo.
É isso.

Selo Comentarista Excelente


Daniel: Naná, não esquece que tem um selo pra você lá no blog!
Nayara: Ué, pro blog?
Daniel: É.
Nayara: hum, e o que eu faço?
Daniel: Você copia e cola o selo no post, depois indica os outros blogs dos comentaristas mais presentes e assíduos, uma homenagem a eles.



Pois é, meu amigo Daniel Maia Silveira me homenageou com este selo em seu blog
http://danielmaiasilveira.blogspot.com/2010/03/selo-comentarista-excelente.html
e aqui eu devolvo as homenagens ;)


Este selo tem o objetivo de homenagear os comentaristas que além da assiduidade dos comentários e do carinho com que são feitos, provocam-nos a reflexão, entusiasmo e empolgação para continuidade do nosso trabalho.

O intuito deste selo é que os blogueiros referenciados façam referência ao blogue que os homenageou, escolham outros blogues que achem justo homenagear, com o respeito pelos critérios atrás indicados, copiem a imagem do selo e mantenham a lógica do texto aqui apresentado.

Assim, ai vai:

Escrevo para me perder... - http://rgpfarrius.blogspot.com/

O blog do Daniel, mesmo ele tendo me indicando eu retruco
No Passo do Mundo - http://danielmaiasilveira.blogspot.com/

O blog do vinicíus que sempre comenta
Blog do Ni - http://nibecker.blogspot.com/

vixe, se eu esqueci de alguém pode me cobrar, eu deixo ;)

domingo, 11 de abril de 2010

Eles dizem, eu digo.

Se disser certo que meu egocentrísmo move minhas pernas, eu digo acreditar. Se eu lhes disser que falta fé na qualidade dos sentimentos próprios, dirão concordar. E se ainda disser que as palavras foram as mesmas antes de fazer e quando de se responsabiizar. Elas serão as mesmas, mas com intensidade e sentido desigualmente valoradas. Irão me dizer que causei efeitos que sobrepõe meu quadrado pessoal, impacto social.

Lamentarei.

Contudo. Digo, como um poeta amigo meu: Tudo vale a pena...quando nossas almas não são pequenas.



tenso~~~

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Uma coincidência, um incidente

É certo como as coincidências estão presentes e como não se explica seu magnetismo, acredito que daí que nasce o tempero, da não explicação e da incitação.

Eu saí pra comprar uma água. Uma hora atrás eu diria que compraria uma cerveja, mas naquela hora eu tinha cede de pureza. O balcão estava lotado, mas o barman era um velho conhecido, dos dias de má-época. A respiração dele arranhava meu pescoço acariciando meus cabelos. Eu olhei pra trás e vi que os seus dentes eram perfeitos. Ele se desculpou, disse que estava apertado e que as pessoas, nestas situações, acreditam que dois corpos ocupam o mesmo espaço. Disse-lhe que não tinha autoridade para falar de física social em páginas sem linhas e em diálogos fast-food. E ele me questionou a totalidade das relações de poder para determinar quem tem prestígio de decidir.E assim foi.

Uma certa antipatia ou carinho foi criado ali, semelhança alguma no gosto ou posto. Não haviam paridades, opinião uníssona ou ligação ancestral. Éramos totalmente diferentes, antagônicos, opostos, distintos, etc.

Eu perguntei a ele, se realmente queria continuar aquele diálogo, porque os batimentos cardíacos eram intensos e os ânimos eram impulsivos. Ele chegou muito perto e disse que não perdia seu tempo com conversas monótonas. Chegou muito mais perto. Eu encostei o nariz em seu ombro e disse: “Direi uma coisa. Eu sou romancista e acredito na terra dos romances prontos. Eu faço meus romances e os vivo. Seja viver nas páginas, seja fazer na vida.”. Ele me olhou com olhos de cristais e disse: “Eu nasci de um romance e num romance me fiz, escrevo e vivo, vivo do que escrevo, porque a cada dia eu nasço de novo, me recrio. Hoje, aqui com você, eu remansci.” Beijou-me com beijo de europeu. Os olhos azuis não mentiram e a explicação para o sentimento sentido somente a música, porque era a mesma, disso eu sei. Ficou o silêncio, o sorriso e a coincidência.

Naquele dia eu vi que de tudo o que me faz pensar, de nada posso concluir.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Diálogo: No carro

Ele abriu a porta esquerda do carro, entrou, sentou e ligou o motor. Eu fiquei parada meio incrédula do outro lado, quando o vidro se abaixou e ele gritou: "Você não vai entrar?". Eu entrei.
Fiquei um pouco pensativa com isso e, assim, ele perguntou:
F: O que foi?
S: Nada.
F: Não, você está pensativa.Eu daria tudo para saber o que está pensando.
S: Quer comprar meus pensamentos?
F: Se estivessem à venda.
S: Por que não vender pensamentos aos curiosos? Pensar é intimidade, dividir pensamentos é dar intimidade.(silêncio). Qual a diferença entre vender pensamentos e vender o corpo, vender sexo?
F: Várias.
S: Ambos são íntimos, concorda?
F: Ehh.
S: E algo que ninguém pode retirar.
F: é, mas pode te obrigar a dar.
S: Sim, mas estamos falando de manifestação de vontade.
F: Hã.
S: Na verdade quando digo vender sexo, estou me referindo a moralidade e, conseqüentemente, à dignidade.  E a dignidade é algo que não se pode vender.
F: Por que você diz que vender sexo é vender dignidade? Se se faz algo por alguma necessidade ou motivo é digno. Sempre há dignidade quando há razões.
S: É verdade, mas para a sociedade, o sexo está atrelado ao moralismo, acho que pela educação religiosa presente, pois se você vende sexo, mesmo que seja motivado, mesmo que seja digno, ainda sim é imoral porque há outras formas de se obter alguma coisa, sempre há dois caminhos.
F: Neste ponto de vista sociológico.
S: Se pensarmos que o sexo é um ato do qual duas pessoas se aprofundam na intimidade a ponto de se introduzirem mutuamente formando uma ligação única que lhes proporciona prazer tão generoso, é porque há uma relação de confiança, certo?
F: É.
S: A mesma coisa o pensamento íntimo, que é algo somente meu ou somente seu. Quando eu começo a te dizer o que penso, estou te dando intimidade.
F: Você quer dizer que a partir do momento em que nós dividimos todos os pensamentos estamos fazendo sexo? (RS)
S: Por ai... (¬¬')
S: Tirando os casos de coação, todo mundo tem liberdade para fazer sexo com quem quer, na hora que quer da maneira que quer. É claro que se os dois quiserem, facilita um pouco. O pensamento também.
F: Então, vender pensamentos seria uma espécie de prostituição?
S: Os pensamentos íntimos sim. Se vender sexo em nossa cultura não é uma coisa aceita, porque vender pensamentos seria aceito, não seria indigno?
F: E os escritores? Autores e tais?
S: Eles não vendem seus pensamentos íntimos, eles vendem idéias. Pensamentos a que me refiro são os da intimidade, aqueles que só você pensa, e jamais fala pra alguém. A não ser que tenha procura... (rsrs)
F: Afe, você viaja.


(Stela e Fábio)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Eu me fiz assim

Eu me fiz mais mulher e hoje eu sou mais do pouco que fui. Eu me fiz mais sincera do que há tempo pensei que fosse e hoje sou mais. Eu me fiz assim e não me arrependo de voltar.
É bom evoluir, é bom crescer. Eu me fiz mais feliz pelo que me privei e agora senti.  Ainda bem que foi assim. Como gosto de ser o que tenho feito de mim!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Lamparinas barrigudas


Estava pensando no escuro e as lamparinas barrigudas desenfrearam a falar. Uma de um lado, a outra também, ao mesmo tempo, mas coisas diferentes. Eu gritei: "Meu ouvido não é pinico!", apontaram suas barrigas iluminadas para mim e continuaram. Bli bli bli, bla bla bla, não paravam , não paravam. Eu tentei não escutar, mas depois de um tempo foi impossível.  Algo sobre a Luzidéia, o filho da Iluminilda, a parenta do Luzidson, que é primo da Clarinete. Ahh também as idéias do Candeeiro, do pecado da Ilustrilde e outros que não me recordo.

De tanto ouvir as lamparinas barrigudas, meus pensamentos se foram e as idéias clarearam.

Foto: A avenida querida é Paulista!, 2005, P&B

quarta-feira, 10 de março de 2010

Divagações: o infinito, o ciclo e as bitucas


Eu ascendi mais um cigarro. Já se foram uns dois maços hoje e com isso meus pulmões também vão, como o verão em março, como o fluxo de um rio.
A ansiedade se acalmara, mas no fundo ainda estava aquele sentimento de euforia, que não passa com o tempo-agora, mas que só o tempo-depois resolve.
É de se notar a peculiaridade que paira sobre essa resolução, pois se apresenta no tempo como curado, mas que intimamente, onde o tempo não consegue se infiltrar, ainda está lá. Aquela brasa quente e inoperante, esperando um assopro pra incendiar. Insensível aos olhos humanos, mas notoriamente descoberto aos olhos dos olhos. Não se trata de uma “cura”, porque a doença é algo muito fisiológico que procura a razão, mas parece adequado didaticamente.
Não basta saber que sente. Em verdade, há sempre uma idéia de sentir e nunca um saber exato do sentimento, pelo menos sua dimensão é tão imensurável que as vezes se manifesta muito e as vezes, não. Proporcional ao quê? Eu não sei quais os critérios utilizados pelo... Pelo cérebro. Ou coração, se achar mais poético.
Sinto que esse sentimento seja infinito. Como as leis naturais, como a certeza da morte, como a certeza da dúvida, como os pensamentos. Mas resta saber quem é o infinito. Quem conflita com a razão, porque já a encontrou. O ciclo. Quem ou o que se esconde atrás das lentes do sentimentalismo.
Um retrato flácido, o desgosto adiado e o afoito do inesperado. Figuras típicas das horas que se conta na vida, figuras que entrelaçam as emoções e os prazeres como crochê, mas que no final não irão virar uma blusa, e sim um nada moral.
Há dois caminhos: seguir e prosseguir. Eu achei uma chave sem dentes, mas os outros também. O fato de a porta estar aberta, só aumenta a vontade de ascender outro cigarro. Ela estava aberta para um penhasco falso. Porque depois de cair, percebe-se que o sentido do penhasco era dar retorno ao infinito. Porque prosseguir? Porque não há opções mentais.
E as outras pessoas? O que elas fazem? Elas me deram diversos mecanismos para seguir em outras direções, mas no final, todos sabem descrever muito bem as sensações de pular.
O mesmo tempo que dura este cigarro a queimar, os mesmos milésimos de segundos que, se contados em câmera mais que lenta, purificam a doença, serão o tempo a durar a “neutralização” dos sentimentos, depois que passado o penhasco.
Ficam presos nas brasas e que muitas vezes, de tanto recalque, nunca mais virão a serem chamas. Por um lado é bom, porque adia pensamentos anti-mim-mesmo, mas por outro, só aumenta o penhasco próximo.
Deixar-se inserir um sentimento em seu ser, não é somente uma doença passageira. (Antes já digo que há patologias que fazem sorrir e outras que fazem chorar, eu me refiro as que se escolhe escolher.) É uma escolha feita para toda a vida, porque por mais que tenha apagado a fogueira, no miolo sempre sobrarão brasas, porque constituem o infinito, porque o infinito é tão perto quanto longe.
E o que eu faço com essas bitucas? Ou com os restos de sentimentos? Em um post anterior eu, mais feliz, fiz um mosaico. Agora, eu prefiro pensar que esse infinito cíclico é só mais uma brasa em expectativas do querer que cairão em suas essências, serão neutralizados pela dor da queda e ficarão armazenados em um cinzeiro, até que sejam resgatados, ou não.

Foto: "Cutuca a Bituca"; Shopping Frei Caneca; 2008.