segunda-feira, 17 de maio de 2010

Não basta


Uma chama acesa na fogueira:
o fogo não basta para queimar.

Uma luz no fundo e o sol nascido:
a claridade não basta para enxergar.

A chuva torrente e o mar profundo:
a água não basta para saciar.

A terra batida e os pés descalços:
a energia não basta para sentir.

A fotossíntese e o ar que respiro:
o oxigênio não basta para respirar.

A simplicidade não basta
o saber também.
Dessa realidade tão vasta
alheia ao aquém.

Uma vida não basta,
ao que a felicidade detém
e o que o homem afasta
o passado retém.

E na mesma palavra
de imaginação tão casta
a amplitude de um poema
por si só, não basta.

Tudo é muito mais do que realmente é
e muito menos do que pensamos ser.
Eu por mim não me basto.

Exposição: Urban Manners 2 - Sesc Pompéia, abril 2010
artístas: Thukral & Tagram (Índia)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Meu lugar

Do alto da estrada escura, os pontinhos de luz humana... emanadas da cidade grande. Onde é o meu lugar? Eu te pergunto poeta e eu mesmo respondo, porque também sei sentir. Mas na verdade não sei ouvir meu coração, por isso fico a perguntar: Onde é meu lugar?

Meus olhos lacrimejam diante do adeus, mesmo sabendo que logo voltarei. Em nenhum recinto há tanto ar puro e beleza nas vestimentas das plantas, não há mistério cotidiano, só as indagações do ser. Mas quando chegar eu saberei que lá também é meu lugar. E se não souber? Só a ti posso perguntar.

E eu sei que no fundo eu finjo duvidar - no fundo eu finjo muitas coisas - porque eu sei que por mais viagens que meus pés façam, por mais dias que eu fique ausente, somente em ti poeta é o meu lugar, somente em ti.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

A minha Velhinha

Um doce. Essa era a definição mais apropriada para a minha Velhinha. Ô gente, nunca se viu na terra pessoa mais bem humorada. A velha acordava feliz e dormia sorrindo. E quando alguém lhe fazia um desagrado, é claro, ela ficava triste, mas jamais com raiva.

Tinha que ver aos domingos, a família toda reunida na casa dela, era gente jogada no sofá, nos quartos, na cozinha, na varanda...Também, o que era de filho, neto, cunhado, namorados das netas, namoradas dos netos, amigos das família, cachorro, primo distante, primo do genro, coletivo.

As tias na cozinha pra fazer os quilos de macarrão, a maionese e o frango assado. Delícia. Os tios na varanda tomando cerveja e dando risada. As crianças na praça brincando. Volte e meia surgia um arrancarrabo e as mães iam furiosas bater nos filhos, mas a velhinha não deixava. Se colocava em frente e os danados todos rindo debaixo da saia dela. Eu já me livrei de várias surras assim. Os aborrecentes ficavam na sala vendo tv, entediados com o programa de família ou então jogando algum vídeo. As primas aproveitavam para fofocar nos quartos, fazendo intrigas. Sem contar o cachorro, vira-lata que só. Quando não fazia bagunda, era ele a própria bagunça.

O Vô ficava só olhando, rindo e chamando atenção em caso de extrema necessidade. "Ô baianada", ele dizia.

Era sempre muito assim, era tudo muito legal. Até que as crianças foram crescendo, alguns foram dando outras prioridades na vida, outros se separando, outras pessoas de afastando, mudando de cidade ou até sei lá o que, e as vidas foram morrendo. E o que sobrou?




Sabe, ontem eu sonhei com a velhinha. Ela estava toda de branco, linda, rindo com um pano branco na mão e desse pano branco saíam coisas bonitas e coloridas. Ela me disse pra não me preocupar, que daquele pano branco só iriam sair coisas boas, para nós.


Assim como eu acredito no sorriso de cada dia, eu acredito na minha Velhinha.

Saudades (L)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Thoughts

Não cabem pronomes possessivos em minha sentença, nem mesmo "I me mine".


Música: I me mine, Beatles, Let it be, 1970

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Básico

Basicamente há uma cura,
Adormecida nos corações.
Sem rumo, sem pressa
Idênticos aos motores.
Comuns, sem sentimentos
Obrigados a não sentir
Orientados a não prestar atenção.
Eles consomem acordes sem sabor e
Indiferentes seguem a multidão
Sacaneando as expressões.
Acontece que para eles,
Basta a necessidade de faltar pedaços...




Bom, como puderam perceber são poemas conjuntos, como se fosse a resposta à acidez.
Faz um tempo que escrevi essa dupla (em 2007), mas pra mim é muio presente. Poderia dar a vocês tantas interpretações, tantas posições, mas fica a imaginação, que é a bailarina do pensar.

Pensei em retratar o básico em minha arte, mas é muito difícil discriminar aquilo que não é perceptível, mas que ao mesmo tempo é inerente ao Tudo.

Básico é:
1- O que serve de base;
2- Quem tem excesso de base;
3- Que tem o valor de pH superior a 7, a uma temperatura de cerca de 25º C. Igual a alcalino e diferente de ÁCIDO.

sábado, 17 de abril de 2010

Ácido




Aumente o volume.
Certamente seus ouvidos padecerão.
Imagine o mundo corroído,
demasiadamente feliz
ostentados por acordes lúdicos,
obcecados por prazer.

Desculpe a sinceridade mas,
Ingênuos, todos cedem.
Como se fossem obrigados a gostar.
Amanhã, certamente, lhes faltarão pedaços...


Este post é dedicado ao meu amigo Toni, toniboy!

Projeto Colagens - "Acid test"; 2008, Nayara Oliveira

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Selo Beautiful blogger


Eita, mais selo ai pra nóis!
Esses amigos!
A galera do Lado B indicou este selo ai http://b-acido.blogspot.com/2010/02/1-selo.html
Como boa amiga que sou, vou retribuir
Lado B, obrigada!!!


Hã?! Sete coisas sobre mim? ^^
1 - Um ser complexo
2 - Chico Buarque, Beatles e Interpol (e vários outros)
3 - Adoro alfajor e suco de laranja
4 - Nos finais de semana na Augusta lixo
5 - Movie & move!
6 - Alberto Caeiro e Conan Doyle
7 - Faço Direito e vivo errado.


Agora a parte melhor, os blogs que eu recomendo:


No Passo do Mundo
http://danielmaiasilveira.blogspot.com/


Essa Boneca tem Manual
http://olharpramim.blogspot.com/


Lado B
http://b-acido.blogspot.com/


Escrevo para me perder
http://rgpfarrius.blogspot.com/


Um grão de João
http://jcotero.blogspot.com/


Blog das duas e dez
http://duasedez.blogspot.com/


O Cordão
http://ocordao.blogspot.com/

Tem mais um monte de blogs que eu recomendo.
É isso.

Selo Comentarista Excelente


Daniel: Naná, não esquece que tem um selo pra você lá no blog!
Nayara: Ué, pro blog?
Daniel: É.
Nayara: hum, e o que eu faço?
Daniel: Você copia e cola o selo no post, depois indica os outros blogs dos comentaristas mais presentes e assíduos, uma homenagem a eles.



Pois é, meu amigo Daniel Maia Silveira me homenageou com este selo em seu blog
http://danielmaiasilveira.blogspot.com/2010/03/selo-comentarista-excelente.html
e aqui eu devolvo as homenagens ;)


Este selo tem o objetivo de homenagear os comentaristas que além da assiduidade dos comentários e do carinho com que são feitos, provocam-nos a reflexão, entusiasmo e empolgação para continuidade do nosso trabalho.

O intuito deste selo é que os blogueiros referenciados façam referência ao blogue que os homenageou, escolham outros blogues que achem justo homenagear, com o respeito pelos critérios atrás indicados, copiem a imagem do selo e mantenham a lógica do texto aqui apresentado.

Assim, ai vai:

Escrevo para me perder... - http://rgpfarrius.blogspot.com/

O blog do Daniel, mesmo ele tendo me indicando eu retruco
No Passo do Mundo - http://danielmaiasilveira.blogspot.com/

O blog do vinicíus que sempre comenta
Blog do Ni - http://nibecker.blogspot.com/

vixe, se eu esqueci de alguém pode me cobrar, eu deixo ;)

domingo, 11 de abril de 2010

Eles dizem, eu digo.

Se disser certo que meu egocentrísmo move minhas pernas, eu digo acreditar. Se eu lhes disser que falta fé na qualidade dos sentimentos próprios, dirão concordar. E se ainda disser que as palavras foram as mesmas antes de fazer e quando de se responsabiizar. Elas serão as mesmas, mas com intensidade e sentido desigualmente valoradas. Irão me dizer que causei efeitos que sobrepõe meu quadrado pessoal, impacto social.

Lamentarei.

Contudo. Digo, como um poeta amigo meu: Tudo vale a pena...quando nossas almas não são pequenas.



tenso~~~

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Uma coincidência, um incidente

É certo como as coincidências estão presentes e como não se explica seu magnetismo, acredito que daí que nasce o tempero, da não explicação e da incitação.

Eu saí pra comprar uma água. Uma hora atrás eu diria que compraria uma cerveja, mas naquela hora eu tinha cede de pureza. O balcão estava lotado, mas o barman era um velho conhecido, dos dias de má-época. A respiração dele arranhava meu pescoço acariciando meus cabelos. Eu olhei pra trás e vi que os seus dentes eram perfeitos. Ele se desculpou, disse que estava apertado e que as pessoas, nestas situações, acreditam que dois corpos ocupam o mesmo espaço. Disse-lhe que não tinha autoridade para falar de física social em páginas sem linhas e em diálogos fast-food. E ele me questionou a totalidade das relações de poder para determinar quem tem prestígio de decidir.E assim foi.

Uma certa antipatia ou carinho foi criado ali, semelhança alguma no gosto ou posto. Não haviam paridades, opinião uníssona ou ligação ancestral. Éramos totalmente diferentes, antagônicos, opostos, distintos, etc.

Eu perguntei a ele, se realmente queria continuar aquele diálogo, porque os batimentos cardíacos eram intensos e os ânimos eram impulsivos. Ele chegou muito perto e disse que não perdia seu tempo com conversas monótonas. Chegou muito mais perto. Eu encostei o nariz em seu ombro e disse: “Direi uma coisa. Eu sou romancista e acredito na terra dos romances prontos. Eu faço meus romances e os vivo. Seja viver nas páginas, seja fazer na vida.”. Ele me olhou com olhos de cristais e disse: “Eu nasci de um romance e num romance me fiz, escrevo e vivo, vivo do que escrevo, porque a cada dia eu nasço de novo, me recrio. Hoje, aqui com você, eu remansci.” Beijou-me com beijo de europeu. Os olhos azuis não mentiram e a explicação para o sentimento sentido somente a música, porque era a mesma, disso eu sei. Ficou o silêncio, o sorriso e a coincidência.

Naquele dia eu vi que de tudo o que me faz pensar, de nada posso concluir.